Corinthians e Santos copiam roteiro



Corinthians e Santos parecem ter combinado o enredo para este ano. Cara de um, fuça do outro! Os alvinegros, mais que centenários, devem pencas de direitos de imagem, o salário camuflado do futebol atual, a atletas e estão na bica de perder o principal jogador de seus elencos. A seiva é a mesma nos dois casos: gestões descuidadas, que arrombaram as contas e lançaram o filme “minha irresponsabilidade será tua herança”. A diferença, no tom político, é que no Santos o atual presidente, Modesto Roma, tem o álibi de jogar nas costas da oposição a tal irresponsabilidade. No Parque São Jorge essa desculpa não cola, pois o mesmo grupo está no poder há quase oito anos.

Guerrero não tem no Corinthians a história de Robinho no Santos, embora tenha sido do peruano o gol do título mundial de 2012, um dos mais importantes da rica história do Timão. O atacante santista tem um vínculo de raiz com o clube praiano, tirou o Peixe do limpo em 2002 e está na sua terceira passagem. Ainda assim, a relevância técnica do peruano para o Corinthians é proporcional à de Robinho para o Santos. Em meio ao turbilhão financeiro, os dois, em alta, convocados para disputar a Copa América por suas seleções, querem receber mais. Para se ter uma ideia, o peruano pede inacreditáveis (para o padrão nacional) luvas de R$ 18 milhões. Esse é o panorama no momento em que os clubes recorrem a empréstimo para tentar pagar parte dos salários devidos. Retrato mais gritante de como são mal geridos os clubes brasileiros não há.

Uma análise mais profunda desses roteiros similares permite detectar originalidade nos caminhos. O Corinthians se encalacrou ao ter um milionário estádio para pagar e não ter aberto mão de um elenco caro, competitivo, correspondendo às exigências de sua torcida. O problema do Santos também nasce do estádio, mas de maneira diferente. No caso santista, falta receita que venha dele. Com médias muito baixas de público, o Peixe não consegue contar com dinheiro de bilheteria, é comum que ela seja deficitária, precisa comercializar jogos para outras cidades e torna-se refém de cotas de TV e Federação Paulista. Do empréstimo que obteve de banco, robustos R$ 3 milhões são apenas para quitar o devido com Robinho.

Ouvimos muito falar de “espanholização” do futebol brasileiro. Ele não só não está acontecendo como o Corinthians, que seria um dos beneficiários dela, está com o pires na mão. Gerir bem as contas, não comprometer mais do que pode com folha salarial, é um dos pontos martelados pelo Bom Senso F.C e inserido na Medida Provisória do Profut. Tivessem agido sob a égide desse conceito, Corinthians e Santos não estariam hoje passando por drama que não se coaduna com a grandeza de ambos. Guerrero (improvável) e Robinho (serã?) permaneçam ou não, será preciso ajustar a casa nos anos próximos.



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