Ricardo Oliveira, o homem que prometeu e cumpriu!



ricardo oliveiraFOTO: Ricardo Saibun/Santos FC

Ricardo Oliveira prometeu e rapidamente cumpriu. O atacante aceitou um tímido contrato com o Santos, de tiro curto, para provar que sua técnica e tino de artilheiro não eram peças de museu, lembranças de um passado que anunciava se distanciar. Para a realidade do jogo atual, com o nome que tem, aquiesceu em receber um salário bem abaixo e firmar um vínculo minúsculo a fim de mostrar que ainda tinha lenha pra queimar. O clube alvinegro, em situação financeira periclitante, abraçou a causa e o resultado veio rápido. O jogador “viu, veio e venceu”, forçando o Santos a rapidamente discutir a prorrogação do contrato, agora em grau de equivalência com a realidade, e evitar perder o camisa 9. É um desses casos em que autoconfiança, disciplina e disposição tornam-se poderosos aliados no esporte.

O interessante aqui é notar a franqueza de sua postura em um mundo, o do futebol, em que o delírio provocado pela fama e pela fortuna tem sido a regra. Podemos opor o caso de Ricardo Oliveira ao do chileno Valdivia, que não mostra disposição para admitir que não vale o custo-benefício ao Palmeiras e, na esteira dessa admissão, buscar sua recuperação. Ao perceber que o mercado brasileiro o olhava de soslaio, cheio de desconfiança, e sabedor, mais do que ninguém, de sua condição física e técnica, Oliveira jogou às claras. Deem a chance, e provarei que posso ser bastante útil! Ao contrário, o palmeirense, apelidado de Mago, dá entrevistas como se viesse de série impecável de atuações e não passasse pela rotina de ausências por renitente presença no departamento médico. Assim como o santista, conhece seu talento, mas faz uma tradução péssima do mundo real e se desgasta.

Vice-artilheiro do Paulistão, e com enormes chances de assumir a ponta dado que o primeiro colocado não jogará mais, Ricardo Oliveira colecionou bons números e desempenho em pouco tempo e fez dos elementos mais persuasivos que palavras. Hoje facilmente se encaixaria em qualquer equipe brasileira, percepção impensável dois meses atrás. Obteve esse reconhecimento com desempenho, não com saliva. O temor em relação a seu estado atlético, por exemplo, virou pó. Corre bastante, não desfalca o time – jogou em 15 das 16 partidas da temporada – e faz gols. Com atacantes muito ágeis ao lado – Robinho, Geuvânio e Gabriel –, a química tem sido boa e o Santos, que aparecia no início do ano como dos menos cotados, agora é candidato ao título paulista e promete um ano positivo.

O atacante ainda não firmou a extensão do contrato com o Santos e já há clubes salivando em volta. Não dá para dizer que faz jogo duro, mas certamente tenta agora uma negociação dentro de novos parâmetros. Já se disse grato ao clube pela oportunidade oferecida para “ressuscitar” em solo nacional e a tendência é que acabe permanecendo. Já disse que não quer “criar modinha” ao referir-se ao caminho adotado para retonar a um grande time. A verdade, porém, é que deu um belo exemplo de que a transparência e a inteligência tornam as coisas mais fáceis em tempos de muitos vernizes.



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