A vida não se resume a Mundiais



thiago silva
FOTO: AFP
Os dois jogos de quarta da Liga dos Campeões, ou Champions League, como queiram,  reavivaram memórias da Copa de 2014. O futebol tem a capacidade de repetir eventos, como a comprovar a nietzchiana teoria do eterno retorno, e também vingar gente ferida por episódios marcantes. E por ser o torneio interclubes que reúne a nata da bola, a competição continental tem a visibilidade que potencializa isso. Os triunfos de Bayern e Paris Saint-Germain foram mestres nesses quesitos. Os alemãs fizeram sete gols em uma equipe repleta de brasileiros, o Shaktar Donetsck. No time da Bavária está a base da seleção germânica, essência dos que protagonizaram o massacre de 8 de julho passado. Uma coincidência salgada, convenhamos! Para além do acaso, porém, é possível fazer alguns encadeamentos nada abonadores para o atual futebol brasileiro. O time de Guardiola, técnico que já ressaltou perseguir o futebol praticado no passado pelo Brasil, tinha apenas um jogador de nossas terras entre os titulares, Rafinha. E o lateral não é exatamente uma das pérolas da equipe europeia. No banco havia Dante, zagueiro que esteve em campo na maior tragédia do país pentacampeão.
Na partida do Stamford Bridge, em Londres, tivemos a redenção, o futebol em formato de elixir. A dupla de zaga titular de Felipão no Mundial, David Luiz e Thiago Silva, com duas belas cabeçadas, realçou a velha sabedoria da ignorância do desafio. Não sabendo que era impossível, eles foram lá e fizeram. Os dois, que por razões várias estiveram intimamente ligados ao 7 a 1, deram boas respostas esportivas. David foi em boa parte do Mundial um símbolo midiático da Seleção. Carisma e entrevistas originais o colocaram na ribalta. O golaço de falta contra a Colômbia deu ainda mais fôlego para a imagem. Até que veio a queda e a percepção de espalhafato venceu as virtudes. O líder técnico e persuasivo perdia  forças diante da crueldade dos fatos.
Mas o redimido de quarta foi mesmo Thiago Silva. O capitão ausente do dia fatal por um cartão amarelo  tolo contra a mesma Colômbia, inesquecível para David Luiz, saiu do gramado londrino como herói. Atrás da expressão melancólica que carrega, o zagueiro, apelidado de Monstro pelos torcedores do Fluminense porque monstruosas são suas qualidades técnicas, deve ter sentido alma e coração aos arrepios. Ele, cujas lágrimas antes dos pênaltis contra o Chile foram julgadas inadequadas para um capitão, escreveu um capítulo histórico para ler a filhos e netos no lugar das folhas tristes. A história o abasteceu quando mais precisava.
David e Thiago têm nomes bíblicos e deram uma classificação de proporções bíblicas para o time parisiense. Sem Ibrahimovic, principal jogador da equipe, expulso erradamente ainda no primeiro tempo, conseguiram unificar grande jogo defensivo, a tarefa número um, com gols decisivos. Ambos certamente não esqueceram e nem esquecerão a surra do Mineirão. Mas, talvez dissesse Geraldo Vandre, a vida não se resume a Mundiais. Ainda que o Bayner de Munique teime em negar essa evidência!


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