O retrato do Canhão da Vila depois de moço



pepe1FOTO: Arquivo LANCE!

Em uma manhã de sábado de 1990 fui assistir a um treino do Santos na Vila Belmiro. Era véspera de jogo contra o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, e eu, com 12 anos, estava acompanhado do meu pai, de quem herdei o nome e o ardor pelo Alvinegro. O fato é que em um determinado momento, o técnico do Peixe, um senhor atarracado, de barriga protuberante e calva pronunciada, aproximou-se da bola para bater um pênalti no goleiro Sergio Guedes. Um momento recreativo da atividade. Pois mandou uma pancada no ângulo direito, indefensável, um lance que ficou grudado nas minhas retina e memória. O que tornou o instante eterno para mim foi um detalhe nada comum: o chute prefeito foi de calcanhar.

O senhor em questão atendia por Pepe, um homem recheado de glórias pelo clube quando jogador, títulos fartos, e a marca de segundo maior artilheiro da história santista. Ou melhor, como ele mesmo sempre advertiu, o maior, pois Pelé “é extraterrestre, não conta”.

pepe2FOTO: Russel Dias

Neste dia em que José Macia, o Pepe, completa 80 anos aquela imagem de garoto voltou à minha mente. Não pude ver o Canhão da Vila em atuação profissional, mas pude, em um átimo, um momento prosaico, de descontração, ter ideia da potência de seu chute. Se àquela altura da vida, com 55 anos, era capaz de desferir tal potência com a parte que a mitologia consagrou como frágil, imagine em seus tempos de atleta! A fama de seu arremate, sintetizada no apelido, ganhou contornos reais na minha frente..

Pepe antecede Pelé no túnel do tempo do Santos. Estava na equipe campeã paulista de 55, a segunda taça estadual do clube e que encerrou jejum de 20 anos. No ano seguinte repetiria a dose, em inédito bicampeonato, meses antes do ingresso do Rei com o qual conquistaria o mundo duas vezes. A fala mansa e o jeito bonachão escondem capítulos dourados da história do clube. O nome de Pepe compõe a mais famosa linha que nosso futebol conhece, ao lado Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pelé. É quem a encerra, o fecho de pedra maciça.

Parabéns a Pepe pelas oito décadas, os 405 gols e a nítida alegria de viver!



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