Todas as Fênix de Tite



titeFOTO: Ari Ferreira

Neste início do novo trabalho de Tite à frente do Corinthians, um dos aspectos salientes é o renascimento de jogadores. O treinador deu para ser uma espécie de fomentador da produção de Fênix em escala grupal. A Fênix é aquele pássaro da bela mitologia grega que entra em autocombustão e ressurge das próprias cinzas. Danilo, Jadson, Elias, Sheik… Esses quatro foram titulares no histórico Majestoso de quarta passada – histórico pelo ineditismo em uma competição tão grande – e tiveram protagonismo. Isso para não citar o zagueiro Felipe. Visto com desconfiança no reinado de Mano, e, mesmo com o experiente Edu Dracena no seu cangote, manteve a titularidade e saiu elogiadíssimo do clássico.

Essa Fênix coletiva não é fruto do acaso. É resultado da alquimia que esse gaúcho sempre se mostra capaz de proporcionar. Tite é desses técnicos que injetam alma, sangue e confiança nos seus comandados. Veja e leia as declarações de quem está sob sua chefia para deduzir a mestria com que faz isso. Jadson, que começaria o ano no banco e viu a vaga cair no colo em função da transferência de Lodeiro para o Boca Juniors, ilustra bem essa condição. Em entrevista ao programa Bate-Bola, da ESPN Brasil, o jogador citou adjetivo comumente associado ao técnico para narrar como se processou sua entrada na equipe. Tite é justo! E, na aplicação desse senso de Justiça, ganha o engajamento dos comandados.

Ainda que os escolados Danilo e Sheik estejam etiquetados com o alerta do espírito decisivo, pareciam carta fora do baralho pouco tempo atrás. Em especial o atacante, que foi emprestado ao Botafogo – e lá decidiu jogos importantes até ser afastado pelo presidente – e reintegrado ao Timão com não poucos muxoxos. Tite confia na dupla, e a dupla confia em Tite. Foram peças-chave em duas expressivas vitórias neste começo de ano. O meia fez o primeiro gol da história do dérbi no novo Allianz Parque. Sheik foi o homem do contra-ataque no Majestoso número 1 da Libertadores. Foi dele o passe para Jadson na pá da cal. Ainda que o lance tenha o borrão da falta não marcada em cima do lateral Bruno, foram inegáveis a velha malícia, a velocidade e o passe exato que encerraram os trabalhos. A dupla, sob a bênção do técnico, reafirma a capacidade de assumir a bronca.

Entre as Fênix de Tite, porém, nenhuma tem as asas mais saudáveis que Elias. O volante/meia, que fez anteontem seu sexto gol em oito jogos contra o São Paulo, teve uma primeira temporada de retorno ao clube aquém das expectativas. A trama do primeiro gol foi o sopro para longe nas cinzas de 2014. A jogada mais pareceu execução de peça teatral ensaiada à exaustão, tamanha a perfeição. Teve em Elias o fio condutor. O lance inteiro pareceu reproduzir os comandos do invisível controle remoto de Tite. Três Fênix obedientes, e talentosas, atordoando a marcação são-paulina.

Além do bom futebol demonstrado, a determinação dos jogadores em campo salta aos olhos. Tite já começa a fechar um novo grupo, faminto por títulos e que confia no seu comando.



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