O dia em que Dalmo foi rei no time do Rei!



dalmoDalmo toca na taça do bimundial ao lado de ex-companheiros de time (FOTO: Santos Futebol Clube)

Dalmo Gaspar, morto nesta segunda em decorrência de complicações do mal de alzheimer aos 82 anos, foi desses coadjuvantes protagonistas do futebol. Fez parte da escalação mais famosa da história nacional e, mesmo em meio a tantas feras como Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe, Almir Pernambuquinho e Mauro Ramos de Oliveira teve seu momento de brilho individual. Teve seu dia de rei! Foi dele o solitário gol que deu ao Peixe o bicampeonato mundial, no dia 16 de novembro de 1963, no Maracanã.  De pênalti, estufou a rede italiana na partida-desempate (cada equipe havia vencido um jogo por 4 a 2, sendo a segunda, também no Mario Filho, de antológica virada alvinegra).

Naquela oportunidade, o Milan contava com jogadores importantes, como o brasileiro Amarildo, o Possesso, que substituiu Pelé na Copa de 62. Pelé que, lesionado, não esteve em campo no dia em que Dalmo foi rei. Cesare Maldini, pai do mítico Paolo, e Trapatonni, que seriam treinadores da Squadra Azzurra, também estavam em campo na ocasião em que Dalmo foi rei. E havia ainda Gianni Rivera, figura relevante no título da Itália no Campeonato Europeu cinco anos depois, no dia em que Dalmo foi rei. E tinha o  ítalo-brasileiro João José Altafini, o Mazzola, campeão do mundo pelo Brasil em 58 e que defendeu a Itália em 62, no dia em Dalmo foi rei.  No banco santista estava Luis Alonso Perez, o Lula, multicampeão no comando do Peixe, no dia em que Dalmo foi rei…

No dia em que Dalmo foi rei o pênalti foi batido na mesma trave em que Pelé, o Rei de fato, faria seu milésimo gol, seis anos depois.

A família de Dalmo tentava vender a medalha do bicampeonato para custear o seu tratamento, como mostrou um furo do repórter Rafael Valente, na Folha de S.Paulo. Foi debalde! Uma síntese do destino de muitos jogadores dos tempos românticos do nosso futebol. O ex-goleiro Barbosa, por exemplo, para quem não se lembra, foi satanizado pelo Marazanazo, encerrou seus dias em petição de miséria em Praia Grande, na Baixada santista.

Nos registros históricos, Dalmo aparece com míseros quatro gols. Um deles, porém, de mísero não teve nada. Graças e ele, o Santos é bicampeão. Os heróis improváveis formam uma das facetas mais atraentes do futebol. Dalmo foi um deles. Teve seu dia de rei.

Eis a ficha do dia do reinado de Dalmo:

16/11/1963
Santos 1 x 0 Milan-ITA

Gol: Dalmo, de pênalti, aos 34min do primeiro tempo.

Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.

Público: 120.421 pagantes (129.252 presentes)

Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)

Expulsos: Maldini e Ismael

Santos: Gilmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula
Milan: Balzarini (Barluzzi); Davi, Maldini e Trebi; Trapattoni e Pelagalli; Mora, Lodetti, Fortunato, Mazzola e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia
FONTE: site Novo Maraca (http://www.lancenet.com.br/novomaraca/)



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