O que buscam os brasileiros na China? A mega-sena!



cucaCuca dirige o Shandong Luneng (FOTO: Ari Ferreira)

O brasileiro Cuca, campeão da Libertadores pelo Atlético-MG em 2013, está há pouco mais de um ano na China. Deixou o Galo seduzido por uma fabulosa proposta financeira do Shandong Luneng, clube que perdeu ontem partida amistosa para o Palmeiras. Uma proposta que, é de se imaginar, garantirá muito mais que seu pé de meia. Com o dinheiro que ganha no país mais populoso do mundo, Cuca deve poder garantir o futuro de filhos, netos e, quiçá, tataranetos. Possibilidade que decerto foi a responsável por levar os atacante Ricardo Goulart e Diego Tardelli, destaques de Cruzeiro e Atlético-MG, respectivamente, a cruzar o mundo e jogar em um futebol sem visibilidade, embora, ao que parece, farto de grana.

Ao dobrar-se às ofertas milionárias, a dupla sacrificou o presente profissional em nome do futuro pessoal. Praticamente jogou por terra as pretensões de Seleção Brasileira, por exemplo, em nome de ficar com a conta bancária repleta e não ter preocupações habituais de reles mortais e ter luxos proibitivos para os mesmos reles mortais. Afinal, custa crer que Dunga irá se preocupar em acompanhar os jogos do Campeonato Chinês e se dispor a relativizar o baixo nível técnico da disputa para convocá-los.

diego tardelliTardelli acaba de se transferir para a China (FOTO: Divulgação)

No caso dos atletas, a sedução pelas propostas deve ter sido ainda maior que a de Cuca por algumas razões. A carreira de um jogador profissional dura de 15 a 20 anos, em média. As lesões, que andam sempre à espreita, podem abreviar ainda mais essa estimativa. Uma oportunidade dessas é como ganhar na mega-sena tendo, como condição, que cumprir um período de exílio praticando sua atividade. Goulart, 24 anos, e Tardelli, 29, estão em estágio diferente da carreira, mas a escolha deve ter sido feita usando a mesma linha de pensamento: “Caíram manás do céu e eu não posso deixar de pegá-los!”. De quebra, seus clubes embolsaram valores que serão decisivos para fechar o balanço. Bom para os dois lados.

Em entrevista na véspera do jogo contra o Palmeiras, Cuca expôs, sem tergiversar e nem dourar a pilula, como a ida para a pátria milenar teve como razão única o salário polpudo. Técnico que gosta de falar de tática e ficou conhecido pela ousadia, mostrou desânimo com as poucas possibilidades que tem de trabalhar esses aspectos no futebol local. Em nenhum momento mencionou a missão de desenvolver o jogo chinês, aos moldes do que fez Zico no Japão nos anos 90. O Galinho foi uma espécie de porta-bandeiras da J-League e fez trabalhos efetivos voltados ao crescimento do futebol no país.

Nem mesmo os ganhos com a assimilação de aspectos da cultura de outro país foram mencionados por Cuca, que disse não viver nada além do futebol na China. Não usou eufemismos ao dizer que para Tardelli a vantagem da transferência é puramente financeira. Ficará no limbo do mainstream do futebol para assegurar a sua vida financeira. Ambição é um traço pessoal, fazer julgamento de determinadas escolhas não é simples. Cuca, por ser técnico, ainda poderá voltar ao Brasil e seguir em alta. Para os jogadores o tempo costuma ser mais implacável.



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