Zé Roberto – Um firme acordo com o tempo



ze robertoFOTO: Reginaldo Castro

Aos 40 anos, Zé Roberto é o mais renomado jogador do superpacote de reforços do Palmeiras. Na apresentação, levantou a camisa para exibir a boa forma, à moda Cristiano Ronaldo, como uma espécie de atestado de que a idade não lhe tirou a vitalidade, a boa condição atlética. Acostumados que estamos a carreiras cuja longevidade deve-se mais ao inconformismo com o fim, contrariando o corpo e a mente, ficamos pasmos diante de um caso como o do meia do Verdão. A classificação de fenômeno não é à toa. Chegar à meia idade atuando em alto nível e pulando de um clube grande para outro do mesmo porte é para poucos.

Velhinhos da bola no gol, como Rogério Ceni ou Dida, são menos raros, dada a natureza da posição. Alguns, de linha, esticam a estada nos campos explorando um fundamento que dominam mais que seus pares. Paulo Baier e Marcos Assunção na bola parada, por exemplo. Romário conhecia tanto dessa coisa de fazer gols, sabia posicionar-se e definir com poucos precedentes, que foi artilheiro do Campeonato Brasileiro em 2001 beirando os 36 anos. Há ainda aqueles que folclorizam a “eternidade”. É o caso de Túlio Maravilha, que perambulou pelos intestinos do Brasil até chegar, nas suas contas, a mil gols.

O caso de Zé Roberto espanta pela dimensão atlética. Ainda tem velocidade e fôlego, o que nos faz supor uma genética privilegiada. Claro que sua postura profissional, dedicando-se a treinos, domindo bem, seguindo as dietas recomendadas, é decisiva. E a boa técnica, a experiência, aproveitam-se dessa disciplina e explicam, em conjunto, essa sobrevivência em tempos de futebol mais corrido, dinâmico, em que a versatilidade é muito valorizada.

O ex-atacante Dodô, em entrevista ao Bola da Vez, da ESPN Brasil, disse que recebe frequentes convites para voltar aos gramados. Eles chegam de equipes de médio porte, o que, segundo ele, é comum na vida de jogadores consagrados. Só que nesses times, o astro, no inverno da carreira, é convocado como “o cara”, o salvador da lavoura, aquele que decide. Nessas condições, completou, não vale a pena. É nesse contexto que vê Zé Roberto como um caso à parte. Consegue, mesmo em idade avançada, ser pretendido por clubes fortes, com ambição, em que não será o único atleta de peso. Em um contexto como esse, sua qualidade e preparo físico, aliados ao fato de não ser íntimo das lesões, são decisivos.

Zé Roberto vislumbra estender sua vida nos gramados até os 45 anos. Quem ousa duvidar que consiga? Ainda que a medicina aponte para as perdas musculares com o passar do tempo, os fenômenos existem para mostrar que o universal sempre pode esbarrar no individual. O galês Ryan Giggs, dos mais festejados e laureados vovôs da história do jogo de bola, 13 vezes campeão inglês pelo Manchester United, deu adeus aos 40 com forma ainda invejável e contrariando o senso comum e uma sociedade que tem fetiche pela juventude. Como em linda canção de Caetano Veloso, homens como Giggs e Zé Roberto entraram em acordo com o tempo e seus espírito ganharam “um brilho definido”.



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