Palmeirense não quer nem imaginar a altura de novo tombo



henrique

FOTO: Ale Cabral

O palmeirense não quer nem imaginar a altura de um eventual tombo no domingo. Sua alma já está por demais perfurada, castigada pelas amarguras dos últimos anos. Um terceiro rebaixamento em pouco mais de dez anos soará como sadismo da cartolagem alviverde. Claro, se acontecer o desastre no novíssimo estádio lotado e diante de um adversário desinteressado, a passeio, não será o fim do mundo, a grandeza não se esvai assim. Vimos neste ano, o do centenário,  a força da torcida verde-e-branca em diversos momentos. E torcida é o maior dos patrimônios de um clube. Mas terá sim um sabor de Allianzzazo, parodiando o logo mais famoso das dores nacionais. A moderníssima arena, erigida no exato espaço do antigo Palestra, vai apenas para seu segundo jogo e deve ser o palco do soerguimento, não de mais um solavanco.

Tudo esta posto para o Verdão escapar, mas gato escaldado… Depois de ver o time começar 2014 com vigor, aparecendo como candidatíssimo ao título paulista, o palmeirense praguejou contra a sina maldosa que o tem acompanhado. Ela veio em série: perda para o Ituano na semifinal, saída de Kardec para rival, passagem-relâmpago de técnico argentino e um time dependente de Valdivia, jogador que saiu sem nunca ter saído  em atrapalhada negociação com time árabe. Para o apaixonado pelo Palmeiras, foi excessivamente salgada a trajetória dos últimos meses.

Em 2002, a queda veio no último ano do Brasileiro de turno único, sendo que no primeiro semestre a equipe havia feito bonito papel no Torneio Rio-São Paulo e perdido a vaga na decisão por conta do número de cartões (!!!) contra o São Paulo. Em 2012, o abismo deu as caras na sequência do título mais relevante que o clube conquistou em uma década: uma Copa do Brasil. Se o azedume instalar-se no domingo será por simples acúmulo de azedumes. Depender das próprias forças tão-somente dá a sensação de alguma segurança. Ainda mais com a especificidade de jogar em casa diante de time da zona morta da tabela. A goleada que o Vitória sofreu para o Flamengo foi, nesse ponto, abençoada. Ela entregou ao time a responsabilidade por seu destino.

O que deixa torcedor e crítica encafifados é que na partida de abertura do novo estádio o rival estava também já pensando em 2015 e o time perdeu. Pior, sem marcar um mísero gol – o Verdão ainda é virgem em sua linda nova casa. Ajuda a aumentar o receio a quantidade de vezes em que o clube afundou diante de evidente favoritismo, desde a Inter de Limeira na final do Paulista de 86 até eliminações para ASA (ALA) e Santo André na Copa do Brasil. O palmeirense lotará o estádio por razão de vida ou morte, por amor, por atração pelo novíssima casa, por devoção clubística… Ele vai ao jogo com o coração ansioso e a alma calejada. Roerá as unhas com a boca cheia de amargor por infelicidades recentes mas também conhecedora da grandeza do clube. Ele só não quer ter que imaginar a altura de um eventual tombo.



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