A escolha de Ceni, os riscos, o céu e o inferno



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FOTO: Ari Ferreira

Imaginem aquela clássica figura do anjinho ao lado de um ouvido e o diabinho ao pé do outro. Um Ceninho de harpa e alvas asas e outro com o tridente, chifres e um pouco de fumaça vermelha atrás. Estariam decerto as figuras celestiais em estado de confusão, criando um pastelão espiritual. A dualidade bem e mal se chocaria, em conflito de difícil purgatório, dada a dimensão do problema. O maniqueísmo perderia de lavada para a insustentável leveza do ser. É possível imaginar o anjinho soprando para o goleiro encerrar a carreira e evitar os vários riscos do imponderável da bola. Vai que o time frustra as expectativas, faz campanha melancólica e cai chapado na primeira fase de grupos da Libertadores. Por outro lado, o mesmo ser de pureza consagrada poderia aconselhá-lo a seguir adiante, não ceder aos olhos gordos de invejosos rivais que querem vê-lo longe dos campos por inconfessável medo da sua potência.

O mesmo dilema viveria o nanico Lúcifer, sem saber qual dos dois seria o caminho da tentação diabólica, fazendo honra à sua carreira de maldades. Afinal, ganhar a terceira Libertadores da vida, encerrar a trajetória no topo, não teria nada de infernal. Crepitar no fogo do lamento seria pendurar as chuteiras e deparar, meses depois, com o título do qual, por decisão ocasional, não faria parte. Se a escolha de esticar a carreira foi celestial ou infernal só os fatos dirão. Sem o poder da vidência, as decisões humanas comportam riscos.

Ceni, bem fisicamente e contente com o grupo de jogadores que o circundam no momento, escolheu seguir adiante mais um pouco, na fé de que possa ser novamente campeão continental. Seria o crème de la crème de uma história que já é independentemente do resultado desses meses finais. O risco, pedra de toque da vida, estaria embutido em qualquer decisão que tomasse. Se parasse, viveria a possível angústia do arrependimento. Ceni é mito pela estrada que pavimentou, não pela unção de deuses. Essa diferença, nada sutil, o humaniza e o expõe às dores e hesitações dos mortais. Se, como disse o ex-craque Falcão, o jogador morre duas vezes (quando encerra a carreira e quando desencarna de fato), Ceni adiou sua morte em vida porque ainda sente-se física e psicologicamente em condições de um último ato. Parar em alta, como muitos pregam, não está descartado. O troféu continental, e, possivelmente, o Mundial de Clubes, desenhariam um epílogo apoteótico para uma carreira que, no todo, já tem sobras e sobras de glórias.

Em meados de 2015 os riscos serão certeza, para o bem ou para o mal, para anjos e diabos. A vida não tem ensaio, apostar é uma recorrência. Ceni apostou em mais uma continuidade. Boa parte dos são-paulinos, reverentes, aplaudiram, enquanto outros foram reticentes. Assim é o esporte, inserido na vida e suas nuances. Pelé não quis disputar a Copa de 74, embora estivesse em boa forma física, com 34 anos, quase oito a menos que Ceni hoje. Teria o Brasil parado a Laranja Mecânica e a Alemanha de Beckenbauer e Breitner e sido tetracampeão na ocasião? Impossível saber, escolha é renúncia.



  • Eu acho que o Roberto Ceni acertou em continuar fazendo o purê de batatas.Eles estão lá,eles estão todos lá !

  • mauricio eliezer cruz duarte

    Não podemos comparar um jogador com outro, principalmente em se tratando de épocas diferentes e posição também. Devemos respeitar a individualidade biológica de cada atleta.

  • Do o vitória jogadores bom

  • soberano

    Ivan Moyses deve fumar pedra.
    Escreveu nada com nada.

  • É praticamente impossível esse sujeito erguer mais uma taça libertadores. até porquê o SR Rogerio Ceni, não tem condições fisícas para mais uma disputa de libertadores. isso ficou bem claro na disputa de pênaltis contra o atlético medelin, essa ganância do SR Rogerio vai nos levar para mais um fiasco na competição. com certeza não passaremos da primeira fase.

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