Vulcão alviverde em erupção



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FOTO: Cleber Mendes
O gol de Henrique foi como um vulcão entrando em atividade para o palmeirense. A imagem pode soar exagerada, mas é a que me veio à cabeça assim que o jogo contra o Botafogo teve fim. As lavas expelidas na erupção alviverde foram do acúmulo de angústia. A Ameaça de rebaixamento não morreu, ainda é real, mas o placar foi como um messias a pregar a boa nova. Avanti! Era um embate direto, com um clube de camisa também pesada, e na casa adversária. Um resultado apertado, na medida, que dá alívio, confiança, alegria e outros milhares de sentimentos que tanto tempo de repressão geram. As lavas tinham a cor acinzentada da ansiedade, do medo que ainda existe.

O torcedor do Palmeiras tem sido submetido a um massacre psicológico pela diretoria. Chega a ser sadismo. Uma fila imensa de trapalhadas, com gestão de mãos trêmulas, sem noção de tempo. Querendo inovar no momento errado,como ao contratar um técnico argentino no meio da temporada, e certa falta de noção de grandeza, ao permitir que o seu principal jogador no início do ano, Alan Kardec, pulasse o muro para um rival. Ali já havia um sinal claro: a coisa vai de mal a pior.  Foram muitas idas e vindas decisórias que levam à péssima campanha atual.

O líquido que escorre do vulcão palmeirense queima de raiva. A sua temperatura eleva-se pelo fato de o clube ter sido rebaixado duas vezes neste século. Seria natural que as cicatrizes do passado resultassem em remodelamento no presente. Que nada!  Assim, o gol de Henrique traz a sensação de que, mesmo em meio a tantos erros, o fim de ano poderá ser de algum oxigênio. O raciocínio pragmático recomenda que se pense na salvação da pele e depois tudo recomece.A vida cíclica do futebol permite que, passada a marola, se coloque o barco no rumo.

Por coincidência, o clube passará por eleição concomitante aos instantes finais do Brasileirão. Provavelmente, o pleito se desenrolará enquanto em campo os jogadores definem se em 2015 o Verdão estará na elite ou repetirá um calvário que o torcedor não suporta mais. Conhecido por sua política interna toda fraturada, mais propensa à dissensão que à coesão, o Palmeiras vem castigando sua apaixonada massa. E essa paixão é tamanha quea série de insucessos não foi suficiente para tirar o clube da quarta colocação entre as  torcidas do país, como mostrou a última pesquisa LANCE!Ibope.

Nas 11 rodadas finais, o vulcão palmeirense ficará na iminência de novas erupções. Novos 1 a 0 terão a textura de goleadas e derrotas gerarão nova apreensão. Os três pontos diante do Botafogo resgataram alguma autoestima, que estará à procura de confirmação já diante do Grêmio, jogo duro, amanhã, no Pacaembu. O artilheiro Henrique comemora os gols com um gesto de degola, justamente o apelido da zona da tabela que o palmeirense quer ver distante. As falhas administrativas não poderão ser remediadas em tal estágio. As vitórias suadas são a panaceia para um ano mal de data histórica, o centenário. Cabe a Henrique, Valdivia e cia. darem alento e perspectivas para a torcida.


  • Neto, feliz e acertadas suas palavras. Acompanhar jogos do time do nosso coração é tarefa para quem tem nervos de aço. É sofrimento do início ao apito final. É tensão total, o gol adversário está ali, prestes a acontecer.
    Os motivos que nos levaram a tal situação, devem ser creditados na conta da nossa diretoria. Nosso presidente achou que bastava contratar em quantidade e esqueceu da qualidade. Brunoro que teoricamente deveria conhecer mais o mercado fez contratações inexplicáveis, será que ele poderia dizer o porquê da vinda de Weldinho? Quem está se beneficiando desse contrato que vigora até final de 2016?
    Só nos resta sofrer e torcer, para que no ano do Centenário não passemos pelo vexame de um novo rebaixamento. Tenhamos fé.

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