Uma Raposa sem predador



marceloo
FOTO: Felipe Gabriel
No último dia 14, foi dado um alarme falso. A vitória do São Paulo por 2 a 0 sobre o Cruzeiro era como um berro entusiástico: “Temos um campeonato!” O Morumbi testemunhava o time paulista, e seu cortejado quarteto de frente, passar pelo grande clube do país no momento, reduzir a diferença para quatro pontos  e candidatar-se a rival efetivo na briga pelo título. Três dias depois, veio como uma espécie de quarta-feira de cinzas. Era uma ilusão de Carnaval. A Raposa reabria a vantagem ao vencer o Atlético-PR em casa e o Tricolor perder desses jogos que, no contexto, não poderia: 3 a 2 para o Coritiba.

Mais duas rodadas se passaram e a diferença aumentou para nove pontos. Os comandados de Muricy somaram apenas um nas três partidas após o duelo da “virada” –  e, ironia das ironias, foi Luis Fabiano, estranho ao quarteto, quem evitou a terceira derrota em série.  Nesse período, os mineiros perderam o clássico para seu rival local (dentro do script) e, ainda assim, alargaram a dianteira. A vitória sobre o Coxa, adversário que freou a euforia paulista, foi como uma separação entre homens e meninos. Não, o São Paulo não é, obviamente, um time de meninos. Tem as experiências de Ceni e Kaká e o ataque superpaparicado. Mas não tem o que o atual Cruzeiro esbanja: autocontrole e poder de decisão.

Notem as expulsões de Alvaro Pereira, contra o Corinthians, e Michel Bastos, contra o Flamengo. Dois monumentos à irracionalidade. Duas entradas desproporcionais, onde o suor superou a inteligência. No primeiro lance, o pênalti e a expulsão não valiam o suposto tirocínio de Guerrero. Já na jogada da última quarta, a tesoura na lateral diz tudo, dispensa palavras. Não se vê essa perda de cabeça no grupo do técnico Marcelo Oliveira. Parece uma turma focada, como reza a linguística empresarial moderna, cônscia do que tem que fazer, sem perder a direção. Vale lembrar que no último mês chegou a estar desfalcada de Éverton e Goulart na Seleção. As adversidades não levaram a queima de  gordura. O Inter, novo vice-líder, está a  oito pontos.

A irregularidade de quem poderia fazer sombra ao Cruzeiro é mortal. A Raposa orgulha sua mascote com sua agilidade e esperteza. Até o momento de perder ela sabe. E não cede o rebolado nem o tento. Depois da derrota para o São Paulo e exultação da crítica ao time tricolor, não se  deixou abater. Venceu os jogos vitais. Embora a expressão-chavão “jogo de seis pontos” siga nas bocas, o fato é que a equipe dá de costas a ela. Se permite tropeçar em um confronto direto e um clássico porque não deixa a peteca cair em confrontos de flagrante superioridade.

É bom sublinhar que, mesmo contra São Paulo e Atlético-MG, a equipe celeste teve momentos de domínio. Até o gol de Ceni em cobrança de pênalti, foi mais perigosa no Morumbi. E no Mineirão, criou um punhado de oportunidades além das duas convertidas. Pode até ter sua cota de tédio um campeonato em que um time passeia. Há, porém, o que se contemplar nesse passeio. Os jogos cruzeirenses são sempre bons e dão prazer a quem vê.


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