Novo capítulo para Dunga e Neymar



Neymar era o sujeito que podia dar o hexa ao Brasil em sua terra. Todos rezavam nessa mesma cartilha. Era o rodrigueano óbvio ulultante, que nesse caso até permitia a idiotia da objetividade. O trator alemão passou sobre essa terra, tão fértil em produzir lendas da bola,sem freios. Passou justamente quando o virtuoso garoto estava fora. Faltou sua aragem no mais humilhante capítulo do ludopédio nacional. Petulante seria dizer que com a presença do camisa 10 se rabiscaria outro episódio, seria tudo tão diferente. Jamais saberemos, mas que foi uma estrondosa coincidência, isso foi.
Inicia-se um novo ciclo, como gostam de demarcar os metódicos, e Neymar, elementar, segue sendo o sujeito que pode dar o hexa para o Brasil daqui quatro anos, na longínqua Rússia. Foi dele o primeiro gol do reinício, que – estrondosa coincidência II, a missão – aliviou as costas de Dunga em seu retorno ao comando das chuteiras nacionais. Justo o  técnico que o renegou, por cru que lhe parecia, para o Mundial de 2010. E que, nas primeiras salivas despejadas sobre erros e acertos, insinuou que detalhes do comportamento do atacante não lhe agradavam.

Acaba o jogo em Miami, contra uma Colômbia botinuda, que parece ter deixado a técnica afundada em junho passado, e vemos um afagar mútuo entre Neymar e Dunga. A rasgação de seda, por irônica que pareça, mostrou o juizo prevalecendo nos dois lados. O técnico sabe que enroscar-se com o melhor, segundo melhor, terceiro melhor e, quiça, quarto melhor jogador brasileiro atual seria um tiro no pé com fuzil Kalashinikov. Já Neymar, bastante vivido em que pese a tenra idade, não seria tonto de chocar-se com um treinador não muito afeito aos desaforos.

No  Mundial de 2018, a maturidade pode dar a Neymar o que a precocidade não deu: o título. Dunga, a quem o cargo novamente caiu no colo, tem sua segunda chance. As nuances da vida não se esgotam.


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