Punição ao Grêmio é duelo de coletivo x individual



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Aranha foi vítima de racismo no Sul (FOTO: Ricardo Rímoli)
A eliminação do Grêmio da Copa do Brasil por injúrias racistas praticadas por um pequeno grupo de seus torcedores contra o goleiro Aranha, do Santos, suscitou um debate acalorado. De uma maneira geral, a rigorosa pena aplicada pelo STJD teve duas correntes bem definidas de reação. Uma delas, favorável à medida, viu na unânime sentença um caráter pedagógico, um exemplo que intimidará que futuras manifestações da mesma repugnância ocorram nos estádios. A outra, contrária à punição, considerou a decisão uma espécie de metonímia jurídica, com o todo sendo castigado por culpa de uma minúscula parte.
As duas avaliações são diametralmente opostas, sem meio-termos possíveis. Os defensores da exclusão do time gaúcho têm os olhares do coletivo para o individual, ao passo que os críticos da decisão percorrem o caminho inverso, do individual para o coletivo. Grosso modo, os primeiros acham que a coletividade deve pagar pelo erro de uma “meia dúzia” porque no fim a sociedade é que colherá os benefícios. A outra turma não vê sentido em muitos inocentes serem sancionados pelo mau comportamento de poucos.
Os que  vamos aqui denominar de  “coletivizadores“ consideram que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e sua legião de simpatizantes devem suportar a mancha histórica da retirada de um torneio nacional por razões extraesportivas em nome de uma causa maior, que  interessa  aos homens de bem e que pode beneficiar, em curto prazo, o conjunto: acabar com odiosas manifestações nos estádios. Já os “individualizadores” creem que só há cabimento em se punir os reais autores da infração, sendo injusto que uma massa de inocentes carregue fardo do crime alheio.

Nenhuma das duas correntes soa absurda. Os argumentos dos dois lados são bons e tratam de temas complexos, que tangenciam questões filosóficas importantes, entre elas o interesse geral e a nobre busca pela justiça. Os “coletivizadores” consideram que a identificação e condenação na Justiça Comum dos criminosos não terão, apenas elas, o condão de impedir novos episódios como os vistos na semana passada.  A sanção ao clube foi vista por eles como mais efetiva para reprimir os atos e capaz de gerar resultados mais rapidamente.

Teoricamente, torcedores com propensão a proferir palavras racistas e fazer gestos da mesma natureza estão agora com muitas facas no pescoço. No seu entorno, certamente haverá gente disposta a dedurá-los caso cometam o delito. Exatamente como aconteceu quando clubes passaram a perder mandos de campo por objetos atirados no gramado. A coletividade, justa ou injustamente punida por ações de incautos indivíduos, passará a intimidá-los.
Como o tema é espinhoso, fica então a pergunta: Se os racistas derem de costas, seguirem agindo e forem delatados, o STJD levará a delação em consideração e absolverá o clube ou manterá a jurisprudência criada pelo “caso Aranha”? Como podem ver, não é tão simples assim. Tomara que a punição a inocentes gere mesmo os ganhos que a coletividade espera!


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