A Seleção que maltrata os clubes



Ter jogador do time do coração convocado para a Seleção Brasileira deveria ser motivo de orgulho para o torcedor. No Brasil não é. O sujeito queria tirar uma onda do rival por ter craques no escrete. Não tira! Ou tira para não perder a piada, mas no íntimo fica chateado. A CBF, com seu calendário mais político que racional, criou a figura da Seleção-que-atrapalha-clube. Um estorvo! Vem a lista para um amistoso e logo o sujeito corre para a conferir na tabela do campeonato. O objetivo é ver em que jogos seu time ficará desfalcado em decorrência da convocação de atletas para jogos, muitos deles chinfrins, do selecionado verde-e-amarelo.

Já temos um Brasileirão deficitário, de público e técnica. E a entidade que comanda o futebol local, preocupada unicamente com a Seleção, sua galinha dos ovos de ouro, prata e bronze, embora a Copa tenha deixado esses ovos com aspecto de latão, castiga os times que têm bons jogadores. O Cruzeiro, melhor time do país há um ano e meio, paga o preço de sua superioridade. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, destaques da equipe, “servirão a pátria” contra Colômbia e Equador. A ausência da dupla causará um rombo na equipe em duas rodadas e poderá custar nada menos que a liderança e pode refletir na conquista ou não do bicampeonato. E mais: respingará em partida de volta das oitavas da Copa do Brasil, podendo até custar a eliminação do torneio. O Corinthians,  com o zagueiro Gil e o volante Elias chamados por Dunga, vive situação parecida. Uma vaga na Libertadores ou até o troféu podem escapar por esse detalhe que escapa ao clube.

Alguns repetirão o velho mantra de que em competição por pontos corridos é preciso ter elenco. Sim, é uma necessidade, mas não para suprir os caprichos de quem organiza o jogo interno como se fosse segundo plano. É para competir em torneio longo, em que suspensões e lesões, itens inerentes de fato, são uma certeza.

O calendário do futebol brasileiro está estufado e o subproduto é esse prejuízo direto que sofrem clubes, campeonatos e torcedores. Enquanto esse aspecto que nos coloca no terceiro mundo da bola não for avaliado seguiremos chafurdando na lama.



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