O terceiro capítulo do segundo rei na Vila Belmiro



robinho e ceniFOTO: Arquivo LANCE!

Quando Robinho deu os primeiros passos na carreira, o Santos ressuscitou. Seu surgimento coincidiu com o fim das vacas magras santistas. Em 2002, o moleque, que mais parecia um caniço de tão magro, foi lançado e acabou como expoente maior da conquista do Brasileirão. Assim acabava a tortura teimosa de 18 anos. Houve outros protagonistas, como Diego, Alex, Renato, Elano e até Alberto. Mas Robinho foi o símbolo. Símbolo porque garoto, como o torcedor alvinegro costuma gostar. Símbolo porque abusado, driblador, folgado, irreverente. Assim redimiu os santistas. As pedaladas no lateral Rogério na finalíssima foram catárticas. Tamanha audácia contra o arquirrival foi o cardápio perfeito. No ano anterior, o gol de Ricardinho, na semifinal do Paulista, no último segundo, fora como uma facada lenta e cruel no coração dos apaixonados alvinegros. No aperto, na jogada veloz, de linha de fundo, que resultou no passe para Elano e o gol que todo santista tem na memória, foi a forra dourada. O 15 de dezembro de 2002 colocou Robinho no panteão da gente peixeira.

robinho 2002FOTO: Arquivo LANCE!

Quando Robinho voltou ao Santos, cinco anos depois de embarcar para a Europa e não tornar-se o jogador que muitos esperavam, houve festança na Vila Belmiro. Pelé esteve presente. Era o rei com o seu inequívoco sucessor. Família real no gramado. A felicidade era um caldo, vinha junto com o surgimento de Neymar, postulante então a membro da monarquia em preto e branco. Seria um ano inesquecível! Os títulos do Campeonato Paulista e Copa do Brasil, exatamente os outros dois domésticos que Robinho não tinha, engordaram a veneração. O time era uma máquina goleadora, e Robinho não era mais o tal caniço. Tinha encorpado e perdido boa parte da ginga da juventude. O papel gingueiro foi executado por Neymar. Com seus anos europeus, o Rei do Drible era mais Rei do passe, da tática, da armação que do improviso. Nada que o impedisse de lampejos do velho garoto, como no gol de letra contra Rogério Ceni ou  no de cobertura contra o Grêmio.  Ficou pouco tempo, tomou o avião de regresso, e não pôde fazer parte da equipe que ganharia no ano seguinte a Libertadores. Justamente o título que viu escapar nos tempos de caniço, abalroado pelo Boca Juniors. Pena!

robinho e peleFOTO: Arquivo LANCE!

Quando Robinho retornar, quatro anos depois de sua pequena visita tira-gosto, haverá novamente uma festança na Vila Belmiro. Ídolo é ídolo. Está mais velho, pois sempre estamos. Não há retrocesso na idade, como desejava o sonhador da bela canção “Quantas lágrimas” interpretada pela Velha Guarda da Portela. O que virá é difícil prever. O histórico não entra em campo. Mas ajuda a criar euforia. A camisa veste Robinho melhor que qualquer outra. Quem é rei não perde a majestade, diz o velho provérbio. Pode agora dar-se o último ato. Que seja de ouro! Dizem que o reserva do Milan seria titular em qualquer clube brasileiro. O futebol local não anda muito bem cotado. É a chance de nova confraternização do torcedor com quem ele ama.



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