Futebol brasileiro na UTI



O futebol brasileiro está na marca da cal. A intolerância – muito bem-vinda neste caso – instalou-se. A Copa do Mundo deu contribuição para o desgosto com o jogo praticado nestas plagas. A galera percebeu que atualmente disputa-se outra modalidade na pátria verde-e-amarela. E uma modalidade modorrenta, que serve, no máximo, para ninar neném. Isso não é papo de jornalista não. Basta conversar com as pessoas em botequim, quitanda, na sala de casa, na praia, ou, se preferir a modernidade, por alguma rede social… O enfado é geral. O sujeito acompanha, claro, sabe se o time ganhou ou perdeu, o coração fala mais alto, até arrisca-se a ver a ligar a TV para ver a partida, dando umas providencias zapeadas de canal de tempos em tempos – ninguém é de ferro -, meia dúzia ousam ir ao estádio (muitos deles, os tais uniformizados) e o muxoxo predomina. Jogos cansados com arquibancadas vazias.

O quadro é muito preocupante. Os clubes imploram por nova rodada de amortização de dívidas, via Lei de Responsabilidade Fiscal. Com o pires na mão, na costumeira cara de pau dos caloteiros, rogam o perdão e chegam a ameaçar, como fez o presidente do Botafogo, um abandono do Campeonato Brasileiro. Imagine você, pessoa comum, sonegar impostos e depois advertir a presidenta da República de que abandonará sua casa se o governo não apagar seus débitos com o leão. Piada de péssimo gosto! Sinal alarmante do que vivemos.

Na bola, rendemos tributo quando uma equipe consegue praticar um futebol vistoso, organizado, que mimetize de algum maneira o que se joga na elite do futebol mundial. Em meio a partidas com festival de chutões e erros de passe, falta de fundamento e proposta tática, temos o Cruzeiro, e talvez o Fluminense, destoando. As partidas em geral se arrastam, rifadoras de bolas, e os técnicos, como fez Mano Menezes, dizem que não devemos fazer comparações. Ora, direis ouvir estrelas, caro Bilac? Então o país cinco vezes campeão do mundo, pátria do maior jogador de todos os tempos, terra de Mané, Pelé e Zico, deve conformar-se com uma bolinha miúda? Os treinadores deveriam ser os primeiros a se preocupar com o que acontece em nossos gramados?  Com a inundação de transmissões de campeonatos internacionais, deveriam trabalhar inteligente e insistentemente para que suas equipes apresentem algo próximo do que se convencionou chamar de futebol. Ver o Maracanã às moscas em uma partida que envolve o líder do campeonato, como aconteceu sábado entre Botafogo x Cruzeiro, é de lascar.

No meio de toda essa barafunda econômica e técnica temos um calendário antiquado, que não permite aos clubes explorar suas marcas. Enquanto o Brasileirão arrasta corrente, as TVs mostram amistoso entre duas potencias europeias (Manchester x Real) levando mais de cem mil pessoas a um estádio nos… Estados Unidos. Estamos tomando olé. A tal pátria em chuteiras veste sandálias esfarrapadas no jogo de bola neste momento. A pré-temporada do Velho Continente joga um balde frio de água na nossa cabeça, nos deixa babando com as turnês dos clubes. A Fiorentina, clube de escalão mediano da Itália (e de uma das cidades mais lindas do mundo, Florença), vem ao país participar de um jogo amistoso contra o Palmeiras e vira atração imediata. A rara a incursão de uma agremiação de lá por aqui mostra nossa carência. Não podemos difundir nossos clubes, as datas, grafadas politicamente pela CBF, deixam todos à mingua.

Os queixumes cada vez mais recorrentes com o futebol praticado na terra da Bossa Nova indicam que algo precisa ser feito.



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