Dunga não é anão, não é Mestre e nem Dengoso. Mas deve estar Feliz!



dungaaFoto: Bruno Domingos/ Mowa Press

Dunga está longe de ser um anão no mundo do futebol. Foi capitão do tetra, levantou a taça com furor, jugulares saltadas, dentes expostos, berros de conquista. É a imagem que mais tenho gravada dele. Minutos depois de bater um dos pênaltis da final contra a Itália, aquele soco horizontal, a vibração de quem quer vencer.

Dunga não tem nada de Dengoso. Tem sangue nos olhos, reagindo a perguntas com um misto de sarcasmo e raiva. Uma dupla que não deve fazer muito bem para a saúde do coração. Não amacia com ninguém (deveria?). Gosta de criar inimigos, reais e imaginários, na sanha de alimentar sua sede de vitórias. Diz que passou do tom, veremos!

Dunga não é exatamente um Mestre. Não é o sujeito imaginado para o sopro de novas ideias que o futebol brasileiro precisa: Um estudioso, à busca de novos conceitos e atualização. Uma cabeça engenhosa na seleção pode ser um rastro para toda a bola que se joga em nossos judiados, ainda que pentacampeões, terrenos. Não parece ser o cara para isso. Há quem aposte: Não é!

Dunga é também Zangado. Fica facilmente furioso nas entrevistas, onde sua jugular salta como no tetra. Pobres veias do pescoço! O cenho franzido, as respostas abalofadas, o uso excessivo de raios na cabeça de seus perguntadores. A cara de mau que o fez líder campeoníssimo nos gramados e anticristo na relação com boa parte da imprensa.

Dunga não é Soneca, não dorme no ponto. Sempre foi ativo no meio de campo, como xerife e fazendo as vezes, bem às vezes, de armador. Como treinador, gesticula, berra, esperneia. Não o vemos bocejar.

Dunga, ao que consta, não é Atchim. Os únicos espirros que vemos são os rancorosos.

Dunga é Feliz? Isso só ele pode dizer. Felicidade é um estado pessoal, não nos cabe julgar um sentimento tão íntimo pautado por gestos e descomposturas. Mas deve estar feliz por ter nova chance no comando brasileiro quatro anos após a queda.

 

Foto: Bruno Domingos/ Mowa Press

 

 



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