Boné da discórdia emocional, uma obsessão



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Vanderlei Almeida/AFP
O futebol brasileiro padece de uma doença obsessivo-compulsiva por questões motivacionais. Durante a Copa do Mundo, superação, choro, mensagens, caras e bocas foram mais importantes que tática e técnica. Uma inversão preocupante de prioridades. A fórmula da família, que teve sucesso com Felipão em 2002, virou samba de uma nota só para os Mundiais seguintes e, assim, a modernidade passou ao largo. A goleada por 7 a 1 da Alemanha, claro, não é explicada só por isso, há os elementos do jogo em si e seu imponderável. Mas a falta de cabeça aberta também não pode ser exilada, tratada como aspecto desimportante. O desperdício excessivo de energia na motivação, como se ela pudesse transformar o ruim em bom e o bom em excelente, indica carência de repertório e antenas para o que acontece ao redor.

Ao assumir o cargo de novo coordenador geral das Seleções, Gilmar Rinaldi deu sinal de que está afiliado a essa corrente. Disse ter ficado muito incomodado com o fato de os jogadores terem usado boné de apoio a Neymar antes do trágico atropelo alemão. Considera que a mensagem deveria ser destinada a Bernard, o substituto do atacante. Inúmeras questões a serem debatidas e a preocupação que desponta é essa! Sintomático de que o caminho será longo e tortuoso. Em 2006, a farra de Weggis foi a explicação. Em 2010, os destemperos de Dunga. Agora, os escritos de um boné. Enquanto isso, a modernidade engole o futebol local, carente de um calendário que permita aos clubes respirar e faturar, por exemplo. Não temos que discutir o campo, só o sangue e a alma?

Durante o Mundial que terminou domingo passado, debateu-se exaustivamente as lágrimas de Thiago Silva e Julio Cesar antes dos pênaltis contra o Chile. Depois da maior humilhação da história verde-e-amarela o tom mudou: a defasagem estrutural e mental é o que tem levado a essa série de fiascos.

Poucos dias após a eliminação para a Holanda, em 2010, Ricardo Teixeira – que tempo depois bateria em retirada do comando da CBF – falou em renovação, com Ganso e Neymar na linha de frente. Quatro anos se passaram, o poço ficou mais fundo e a (falta) de base está na superfície do diagnóstico. Não houve progresso nem regresso. Na prática, estanque está o futebol brasileiro. Quantas vezes os clubes, suporte de tudo, foram citados na entrevista de Marin, Marco Polo (com seus silêncios eloquentes), Gallo e Gilmar? Houve raras referências.

O boné dos jogadores, profético fosse, deveria trazer a mensagem: Força, futebol brasileiro! Na aba dele, infelizmente, vive uma cartolagem descomprometida com o avanço real de um dos grandes patrimônios do povo. Os clubes, em vez de tomarem as rédeas e  pararem de aceitar esses desmandos, ainda são cordeirinhos. Só eles podem movimentar essa realidade. Os bonés apenas servem para esconder a sujeira.

 



  • HECK_BR

    MAIS QUE CONCORDAR COM O TEXTO ACIMA, ACHO QUE ESSE POÇO FOI AZULEJADO. NÃO VAI BAIXAR O NÍVEL DA ÁGUA SEM TIRAR OS ENTULHOS DO FUNDO. EM 1997 ÉRAMOS O PAÍS DO FUTEBOL. RONALDO, RIVALDO, ROBERTO CARLOS, EDMUNDO EM GRANDE FASE, ROMÁRIO, ENFIM, JOGADORES ACIMA DA MÉDIA DOS DEMAIS. HOJE, DEPENDEMOS DE UM JOGADOR E DE UM BONÉ. O BASTÃO NINGUÉM LARGA.

  • Wilson

    Começei a assitir a entrevista do Sr Gallo, mas desisti quando começou a falar que os novos atletas deverão ter acesso a cultura, ir a museus e coisas do tipo. Parei com esses caras…tudo bem que os atletas devem ter acesso a cultura, mas penso que os atletas precisam de alojamentos, padrões atualizados de táticas, treinar fundamentos modernos…enfim dominar a profissão que eles escolheram…enfim bola neles!!!

  • luiz

    a frase dele foi uma das coisas mais absurdas que ouvi nos últimos tempos. se começou assim acho difícil que as coisas melhorem,ate por que não á a Seleção que precisa melhorar e sim o futebol brasileiro,começando por transformar os clubes em empresas. Esse deveria ser o primeiro pass.

  • luiz

    Wilson, se nossos jornalistas esportivos fossem como os de fora (lembro de uma entrevista de um jogador de nossa seleção de tempos atrás que ao se apresentar num programa no Brasil bem vestido foi inquirido do por que estava vestido daquela forma. E a resposta foi que no país onde atuava além de precisar se apresentar bem vestido nas entrevistas para a televisão as perguntas iam além da parte esportiva,perguntando,por exemplo, o que tinha lido recentemente, a qual museu tinha ido, etc,etc) aí isso faria sentido. Mas sendo como são(o Ibope é o que mais lhes interessa,então,surgem brigas fajutas,discussões onde quando o câmera se engana pega um deles rindo,etc,etc) não podemos pedir isso aos nossos atletas

  • MARIO

    Dificilmente vai ter reformulação no futebol brasileiro, pois o que impera no futebol como em quase todas modalidades de esportes é o nepotismo, e pr reformular tem q haver mudanças, e ninguém vai querer largar as tetas da alegria. Portanto o câncer vai continuar, o favorecimento de parentes e amigos, em detrimento dos realmente tem competência pr os cargos chaves, dos que tem caráter, personalidade e não se envolvem e não aceitam conchavos e maracutaias.

  • Boa Noite, Já que o comando da CBF não pode ser mudado (corrompido) achei que se eles talvez escolhecem para o cargo de coordenador um Leonardo, um Zico, até um Juninho Pernanbucano que nessa copa vi que ele não é vaquinha de presepio de ninguém, agora escolher um ex-jogador mais que é empresario de jogadores e tecnicos até o dia anterior e passou ao seu socio ( a cada convocação vai ficar marcado )e depois pela sua entrevista já vi que não entende nada Força Neymar ou para o Bernard pouco importava o Felipão montou o time errado para jogar com a Alemanha completamente aberto e pelo jeito continuaremos na mesma porque os tecnicos brasileiros também estão defazados, estão falado do Tite ele jogava super feio era retranqueiro e jogava por uma bola fazia um e se fechava e ainda de bola parada, e o Muricy na também na época do Santos era joga no Neymar para ele resolver, um dos unicos que joga bonito é o Marcelo Tecnico do Cruzeiro e se não começarmos o planejamento pela base e treinarmos muito e mostramos a esses nossos jogadores que jogaram de 1= viagem que precisamos de muito treino, porque em setembro já teremos jogo com a Colombia que está muito boa e isso só com o James Rodrigues imagine quando entrar o Falcão Garcia e os outros sul-americanos tembém estão muito bem.

  • Valdir

    Não deveria ter bone nenhum, mão no ombro, chororo etc. Deveria era ter treino, avaliar jogadores por critérios claros, como eficiencia no passe, capacidade de desarme, eficiencia nos chutes a gol, visão tática de cada jogador etc. Aliás um fato que notei agora no inicio do brasileirinho, foi que nenhum canal de comunicação que cobre o futebol ( TV, radio, jornal, blog) avalia os fundamentos dos jogadores, todas avaliações são superficiais. Quem é o melhor passador do brasileiro, maior eficiencia em chutes, desarmes sem falta, ninguem fala nos fundamentos e depois reclamam dos jogadores não terem na seleção.

  • jorji

    Hino nacional, entrar de mãos dadas, mensagens diversas, família Scolari, etc, nada disso ganha um jogo ou uma competição, é óbvio que o choro dos jogadores desde o primeiro jogo da copa mostrava claramente o desequilíbrio psicológico dos jogadores, e a comissão técnica não soube estancar esse problema que resultaria no maior vexame da história do futebol em todos os tempos protagonizada por uma seleção de um país, era impossível nas condições em que os atletas se encontravam, elaborar ou seguir um esquema tático, tecnicamente jogadores decaem, o Scolari deveria já ter sacado Thiago Silva do time, o jogador foi o capitão mais frágil mentalmente na história do futebol, um erro lastimável, enfim, faltou firmeza em todos os aspectos, até o Neymar, líder técnico do time chorou além da conta. Perder para a Alemanha, Argentina, Holanda ou outras grandes seleções é absolutamente normal, mas de 7 X 1 dentro de casa é inaceitável, de uma coisa tenho certeza, com o Dunga não tem essa frescura de chororô, técnico às vezes tem que bater na cara de jogadores, e tem que saber bater na imprensa.

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