Quando o Mineirão viu a trave render tributo às redes



A bola de Pinilla chocou-se com o travessão. Evitou o gol nos instantes finais da prorrogação, abriu alas para a epopeica vitória nos pênaltis e impediu o vexame da eliminação precoce no Mineirão. Como é largo esse Felipão, bradaram alguns. E o atacante chileno gravou no seu corpo, em tatuagem, o lance eterno.

Apenas dez dias depois, a rede roubou o protagonismo da trave no mesmo palco. E estampou um vexame brasileiro maior do que seria aquela queda para os rivais continentais. O atropelo alemão não deu brechas à decantada largura do treinador. A trave nem esboçou reação. Pelo contrário. Foi omissa por completo diante da desorganização em verde e amarelo. Foi cavalheira diante da organização em preto e vermelho.

Aquele lance de Pinilla evidenciava o titubeante futebol brasileiro no Mundial de 2014. Os chilenos, eliminados com sobras em 98 e 2010, engrossavam agora o jogo e por pouco não conseguiam uma façanha. E nos domínios tupiniquins! A dramática vitória, porém, essa senhora ilusória que vive mostrando as garras nos campos, estufou os peitos nacionais. Era sinal, divino ou natural, de que o hexa estava pavimentado. A largura felipônica, que não impediu a perda do título europeu por Portugal para a Grécia, em 2004, iria novamente dar as caras.

O Mineirão, fervilhante naquelas oitavas de final,  esmoreceu nesta semi. Há passos que não podem ser dados. A sorte não foi lançada, ela deu de ombros quando viu as diferenças expostas. No intervalo, o placar já dizia que não havia jogo, havia um treino da Alemanha. Treino de dois toques, com incríveis quatro gols em seis minutos. Inapelável.

A epopeia odisseica contra o Chile virou um conto do vigário contra a Alemanha. Caladas ficaram as traves do Mineirão!



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