Chegou a vez da nova geração alemã?



Apostar na Alemanha entre as principais forças do Mundial é barbada. De 66 para cá, o país (contando-se, obviamente, sua parte ocidental durante a Guerra Fria) chegou em nada menos que seis das 12 finais jogadas. Assombroso! Na outra metade em que não foi finalista, foram três quedas em semifinais, duas em quartas e apenas uma, em 78, na segunda fase. Olhar esse retrospecto e não colocar os germânicos entre os favoritos já seria audácia em excesso (ou, para alguns, imprudência). Mas quando o time é dos mais fortes do mundo, se não o mais, é espancar a realidade.

A goleada por 4 a 0 em Portugal, na estreia, foi mais uma demonstração de excelência dessa nova geração alemã. Excelência que passou a léguas de distância do grupo que foi vice-campeão 12 anos atrás. Ali, mesmo finalista, era roto retrado do que já tínhamos visto da bola dos tricampeões. Muitos perguntavam: O que houve? Avançou na camisa, essa senhora bastante capaz, e com o auxílio luxuoso de uma série de acasos, como as quedas precoces de França e Argentina e a arbitragem amiga para os sul-coreanos contra Itália e Espanha. Em nada lembrava as formidáveis gerações de Seep Maier, Beckenbauer, Breitner, Overath e Gerd Muller ou de Brehme, Matthäus, Voller e Klismann. A ponto de o grande jogador ser um goleiro, Oliver Kahn, eleito o craque da Copa antes de falhar na decisão contra o Brasil. Havia outros poucos expoentes, como Balack e Bierhoff, e um fenômeno ainda difícil de decifrar, Miroslav Klose. Um atacante que mostrou suas asas naquele mundial e agora, no Brasil, pode tornar-se o goleador máximo da história do torneio sem que apareça em nenhuma lista dos maiorais da bola.

Nos Mundiais de 2006 e 2010, de fato a Alemanha ressurgiu como potência técnica, deixando a quilometragem como aspecto apenas complementar. Esbarrou duas vezes nas semifinais deixando a sensação de que pode mais. A sensação é de que vive seu auge, coincidindo com o estancar da potência espanhola e outros candidatos sem a mesma força coletiva. Na sua trajetória foi obstruída justamente pelos espanhóis (final da Euro 2008 e semifinal da Copa 2010) e italianos (nas semifinais da Copa de 2006 e da Euro 2012). Quatro anos atrás teve atuações que deslumbraram mais que as da Fúria, em especial nas goleadas sobre Inglaterra e Argentina, porém foi freada pela posse de bola rival.

Contra os portugueses, lembrou exatamente esses passeios do Mundial passado. Um rolo compressor que enguiçou na reta final de 2010 e que tenta não pifar novamente. Brasil, Holanda, Argentina e, como vimos recentemente, a Itália são postulantes a melarem a festa germânica. Para ser campeã, a Alemanha tem a seu favor o melhor conjunto e a tradição. Junto com eles, um desafio: nunca um europeu foi campeão no continente americano. Nele todo, de norte a sul. É um território hostil que deverá ser driblado. A clássica frieza e espírito competitivo serão testados quando os fatores contrários se postarem à frente dos comandados de Joaquim Low. São eles os maiores inimigos dos favoritos.



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