A Copa do Mundo é tão rara



ribery

 FOTO: Patrick Kovarik/ AFP

Frank Ribéry perdeu a Copa e a alma (em suas próprias palavras). Para estar no torneio que começou na última quinta, venderia essa dita alma ao diabo, como Fausto, aposto! Terceiro colocado na eleição de melhor da Fifa no ano passado, vive seu auge, na ponta dos cascos. Ficar fora do Mundial por lesão tem requintes de crueldade. A próxima edição acontecerá só daqui 48 meses, muito tempo, o futebol gira em velocidade irrefreável. É possível que esteja decadente, que o próximo técnico francês não simpatize com ele ou que os gauleses tropecem nas eliminatórias. São muitas as possibilidades!

O que faz da Copa do Mundo um torneio sui generis não é somente ser uma disputa entre países, embora seja esse um aspecto relevante de sua silhueta cortejada. A distância entre as edições e a sua curta duração são seus toques da Midas. Parece tratar-se de um evento mais fantasioso que real, tanto tempo que demora para chegar, tão rápido que passa. Teve um período em que Joseph Blatter, que como quase todo cartola pensa basicamente nos ganhos políticos de suas ações, cogitou fazer o Mundial ano sim, ano não. Ideia que até poderia mostrar-se tentadora num primeiro momento para os aficionados, mas a médio prazo se revelaria uma autoimolação. Iria, depois de algumas edições, fazer fatalmente o encanto sucumbir.

messi

Alejandro Pagni/ AFP

Messi sabe que se não brilhar em uma Copa terá sempre um senão em sua carreira. Se justo ou injusto, o fato é que ele estará presente, essa é a dinâmica que vigora no futebol como o conhecemos atualmente. Pelé, Maradona, Zidane e Ronaldo, por exemplo, foram geniais em seus clubes, com glórias absolutas. Porém, nas justificativas para colocá-los no panteão não nos restringimos às suas qualidades técnicas e façanhas clubísticas. Logo nos remetemos aos seus desempenhos na competição entre seleções.

Daí que não me soa absurda a hipótese de o atual camisa 10 da argentina ter mesmo se poupado na fase final da temporada pelo Barcelona. Messi saliva pelo troféu que será entregue pela Fifa no próximo dia 13 de julho!O Maracanazo, a Batalha de Berna, a queda da Laranja Mecânica, a Tragédia do Sarriá… Rótulos que se perpetuaram, ao feitio para roteiros de cinema, produtos de um torneio desenhado para o épico. No amontoado de calendários da bola, com jogos após jogos, centenas de duelos entre clubes se perdem na memória.

Partidas de Copas estão como num relicário. Até o menos privilegiado guardador de fatos é capaz de lembrar de um Bolívia 0 x 0 Coreia do Sul em 94 ou que El Salvador levou a maior goleada da histó-ria (10 a 1 para a Hungria, em 82). Daí veio o choro de Ribéry, do conhecimento da raridade que lhe escapou. O choro de Romário em 98, cortado por Zagallo, veio mesmo com um título nas costas. É um momento único!



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