Copa do Mundo cria um BBB à gaúcha



VIAMAO 2

FOTO: Valdomiro Neto

A cidade de Viamão, colada em Porto Alegre, teve ontem seu Big Brother particular. O primeiro dia do seu Big Brother, para ser mais específico. Os participantes, antes de dirigirem-se ao resort de luxo (a casa desse BBB à gaúcha), foram apresentados aos espectadores, os habitantes do município, cuja população é estimada em cerca de 240 mil pessoas. A Praça da Matriz ficou abarrotada para receber os participantes do jogo, que, se chegarem à segunda etapa já estarão no lucro. Um dos selecionados, Valencia, recebeu a chave da cidade do prefeito e a sua torcida para que sua eliminação, e de toda a turma que com ele estava, esteja bem distante.

– Para o Equador, Viamão é o Brasil – berrou o prefeito da cidade, Valdir Bonatto (PSDB), orgulhoso de abrigar a seleção do país sul-americano.

O clima de BBB ficou claro logo que pisei no espaço que abriga a igreja-símbolo do marco zero da cidade, bem ao feitio dos interiores brasileiros. Eufóricos, os moradores se apinhavam para saudar jogadores que quase ninguém ali conhecia. O fato de ser uma seleção da Copa do Mundo, e a única a hospedar-se no estado do Rio Grande do Sul, era o suficiente para atrair a massa. O símbolo era o fundamental.

Para aquela gente, era como se Viamão entrasse de fato no mapa do Brasil. Uma massagem saudável no ego. Não importa que o rumo final dos equatorianos fosse um resort cheio de pompa e isolamento, com gruta de água aquecida, quartos cheios de luxo, espaços com mordomia muito acima da realidade local. O fato de poderem ver de perto atletas que jogarão o maior dos torneios, muitos deles atuando em importantes equipes europeias, como o citado Valencia, do Manchester United, era o suficiente.

A prefeitura local soube preparar o terreno para que o orgulho do viamonense se inflamasse. A cidade foi toda pintada nas cores azul e amarelo, do Equador. Faixas foram espalhadas por todos os cantos, os meios-fios ilustrados a e festa de recepção foi bem organizada, com música regional, peça teatral e locutor empolgado. Antes do confinamento dos equatorianos, a cidade pôde conhecer seus heróis. Houve quem ficasse contrariado, é claro. Perto de um banco ouvi uma adolescente queixar-se:

– Viamão não tem escola, mas tem um hotel de luxo para receber seleção da Copa!

No ônibus que me conduziu de Porto Alegre a Viamão, uma outra moça me falava das carências da cidade, que é mais dormitório, pois boa parte de seus habitantes trabalha na capital.

– Se o Equador fosse ficar em Porto Alegre não teria festa nenhuma – comentou um taxista quando relatei o acontecido, um dia depois.

 

O glamour e o status foram os motores centrais da festa. Pouco importava o quão incógnitos eram aqueles jogadores para quem ali estava. Sentir-se protagonista foi o que motivou aquela gente. Não é disso que nutre-se a fama nos tempos de hoje?

 



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