Previsão de Felipão: calvário para o hexa



A tabela da Copa 2014 permite ao Brasil temer a catástrofe de uma eliminação excessivamente precoce ou então um título inigualável. A partir da fase eliminatória (oitavas de final), quando vinga o tal venceu fica, perdeu cai fora, é enorme a chance de só ter camisa pesada pela frente. Felipão, em entrevista ao Estadão, previu seu caminho: Holanda, Itália, Alemanha e Argentina. Ufa! Se o hexacampeonato vier com essa trilha teremos recordes de marca-passos colocados Brasil afora. Geralmente os Mundiais, fazendo jus ao surpreendente mundo da bola, apronta das suas. Nos últimos dois títulos do escrete canarinho, já nesse desenho com 16 equipes iniciando o mata-mata, sempre houve uma surpresa na estrada: Estados Unidos e Suécia em 94 e Bélgica e Turquia em 2002. Se a zebra se insinuar dá até para brincar pensando em um caminho bem mais light, à moda Chile, Costa do Marfim, França e Itália (mesmo no máximo esforço é necessário ter bom senso, daí a inserção de franceses e italianos na reta finalíssima). Difícil ocorrer este segundo cenário.

Mas voltemos à previsão felipônica. Suponhamos que o treinador acerte e o caminho seja esse. Pedregoso pra burro. O título será fatalmente o mais dourado pelos rivais. Se não, vejamos:

– Oitavas: A Holanda é a última carrasca brasileira. Julio Cesar, que falhou na eliminação de 2010, sabe bem disso. No geral, foram quatro partidas decisivas entre as duas seleções na história dos Mundiais, com dois sucessos para cada lado (Holanda em 74 e 2010, Brasil em 94 e 98). Nunca houve moleza para o “país do futebol”

– Quartas: A Itália nos vitimou no longínquo ano em 1938, na França,  por 2 a 1, e nos legou Sarriá e seu endiabrado Paolo Rossi, em 82. Por outro lado, também nos deu os eternos sabores de 70 e 94 (distintos pelo modo, idênticos pelo título em si). Ainda houve o triunfo brasileiro na disputa de terceiro lugar em 78 – aquele título moral, sem derrota, com o arranjo Peru x Argentina. A terra de muitos imigrantes brasileiros do começo do século XX é quem está mais na cola verde-e-amarela, com quatro títulos, podendo empatar neste ano. Dureza sempre!

– A Alemanha, com sua melhor geração desde que Klismann (que comandará os Estados Unidos neste Mundial), Völler e Matthaus penduraram as chuteiras nos anos 90, traz ótima recordação a Felipão pela final de 2002. Curiosamente, mesmo em se tratando das duas seleções que mais marcaram presença em Mundiais, foi o único confronto entre as potências na história da competição. Mas agora a qualidade é bem outra. Seria duelo de arrepiar, imprevisível. Os germânicos estão habituados a frustrarem favoritos. Não foi assim com a Hungria em 54 e a Holanda 20 anos depois?

– A Argentina na decisão seria como a cereja das cerejas. Risco de um Maracanazzo mais dolorido que o de 50 (como se isso fosse possível!). Pior que Canudos 2, a missão, diria Nelson Rodrigues.  Uma final inédita para aquela que muitos julgam ser a maior rivalidade do futebol mundial no quesito seleções nacionais. Chega um Mundial e essa decisão aparece nas cotações e nada. E agora, no Brasil, com Messi de um lado, Neymar do outro, seria um sonho. Em 78, quando a anfitriã foi a Argentina, um empate sem gols na chamada Batalha de Rosário. Mundial polêmico aquele, oom os militares locais dando as cartas. Ainda houve o encontro em 74, na segunda fase, com vitória brasileira por 2 a 1, placar que engordou para 3 a 1 em 82, na Espanha. Porém, na última acareação deu Argentina, em 90, com Maradona fazendo o Brasil chorar, ao lado do loiro Canniggia. E aí, curtiu? Felipão é sádico, realista ou dissimulado? Talvez uma mistura de tudo isso na hora de fazer previsões.



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