Quando um time vai mal, troque um técnico no Nacional



Jayme de AlmeidaJayme de Almeida, campeão da Copa do Brasil, foi demitido do Fla (Crédito: Carlos Costa/ LANCE!Press)

É angustiante como se troca de técnico no Brasil! A cartolagem parece viciada na estratégia única de, no mínimo aperto, chutar o traseiro de um e contratar outro. Quem já não ouviu aquela surrada frase, estúpida como muitas que circulam impensadas no futebol, de que é mais fácil trocar o comandante que o elenco inteiro? Como se treinadores fossem milagreiros, chutassem faltas, driblassem e, delírio dos delírios, fossem capazes de com palavras transformar pernas de pau em craques, goleiros fracos em muros intransponíveis e por aí vai. Do razoável, a mentalidade aqui passa a léguas de distância.

A ciranda é tamanha que é muito comum o novo técnico ser um velho conhecido, que em outro momento não serviu para esse mesmo clube, foi despachado, e agora é a solução. O argumento pode ser o “novo” momento do profissional, o que seria convincente no varejo, não no atacado, já que poucos técnicos parecem dispostos a se modernizar em nossas terras. Desespero é a etiqueta que deveria vir colada na testa dos presidentes dos clubes tupiniquins. De maneira geral, recorrem ao expediente único que joga para a torcida, dá falsa resposta e não resolve nada.

A supervalorização dos técnicos no Brasil é um fato insofismável. As vitórias e derrotas são mais imputadas a eles que aos jogadores. Basta ver os contextos de suas demissões. Sempre se encontra uma ação, ou passividade, para atribuir ao comandante culpa que nitidamente é do atleta ou, então, do jogo, que teima em ter um vencedor no final (ainda bem!). Jayme de Almeida foi defenestrado do Flamengo por quê? Conquistou a Copa do Brasil e o Carioca, foi eliminado da Libertadores e o time titubeava no começo do Brasileiro. É suficiente? Parece mais é força do vício mesmo, gestão de caminho único. Roubando triste lema do nosso futebol em tempos de ditadura: “Quando o time vai mal troque um técnico no nacional.”

Não importa que seja começo de competição, que os serviços prestados pelo profissional tenham sido satisfatórios e que as limitações do elenco sejam evidentes. Não chamar isso de amadorismo é queimar dicionários. Técnico é importantíssimo, mas sem tempo para trabalhar, com a instabilidade que predomina no Brasil, não produz. Arriscaria dizer que parte considerável da responsabilidade pela draga que está nosso futebol local, com jogos domésticos que servem como sonífero para os pobres insones, deve-se à falta de tempo para trabalhar. Imaginem se Andrés Sanchez (elogie-se o que é elogiável) tivesse mandado Tite para a rua quando da histórica eliminação do Corinthians para o Tolima em fase prévia da Libertadores? Não teriamos a oportunidade de conferir o melhor trabalho em muitos anos em nossas cercas. E o tal do Adenor teria permanecido em um injusto limbo, sem que soubéssemos de que ainda podia montar um time, com uma filosofia aplicada depois de exaustivos treinos e paciência da direção.

Enquanto a solução simplista for mexer no comando será fácil saber o porquê nosso futebol é mal gerido.



  • Raimundo Vanks Gonçalves lima

    Concordo, temos que mudar essa filosofia,que quando o time vai mal tem que trocar o trenador. Pois nem sempre e culpa do trenador,muito das vês e falta de material humano, ou pouco tempo de trabalho. No caso do flamengo.e falta de pessas de reposição a altura dos titulares,e falta um meia de criacao ,um atacante de nome que imponha respeito, dar uma arrumada na defesa, tem jogador no elenco, e só usar, e tara pronto para brigar com segurança pelo o titulo, não precisava trocar o trenador,gasto desnecessário.

  • giancarlo Passamani

    Claro que existe uma demanda de sai técnico e entra tecnico, uma filosofia bastante antiga, nos tempos de hoje, técnico que não se atualiza, não estuda, técnico que vive o momento, mais assim que começar a vim técnicos de fora ai vai começar a mudança, mais em quanto isso deixa estar, as vezes técnico não resolve o problema imediato, porque a maioria das vezes são os próprios jogadores, que ficam insatisfeito com o técnico da maneira que vai, mais nos torcedores temos que so torcer para o time e não para os técnicos e jogadores, porque o time fica os jogadores vao e técnico também.

  • ora pois…. o fluminense mudou e melhorou. nao e preciso esperar para cair na segunda divisao e?

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