Bom Senso propõe calendário lógico e que beneficia a todos (menos cartolas)



Os Estaduais ano a ano vão perdendo a cor. O raquitismo vem já de longa data. Basta pensar que em 2002 tivemos um Torneio Rio-São Paulo, promovido com pompa e circunstância pela Federação Paulista (até hino cantado por Netinho de Paula teve) e ocupou o espaço junto com outros regionais, esvaziando os estaduais. No ano seguinte, em retrocesso, estes foram reavivados. A extinção deles, por uma questão de preservar a tradição, de fato não deve acontecer. Seria um crime contra a história do futebol. É inimaginável pensarmos que nunca mais o Corinthians poderá ser ultrapassado por seus rivais na galeria de títulos locais. A disputa deve permanecer. Não será bom tratá-los como coisa do passado, peça de museu. Mas é preciso enxugá-los ainda mais, dar a eles o tamanho que devem nestes novos tempos. É dar murro em ponta de faca mantê-los como hoje. É uma questão de orçamento, racionalidade, BOM SENSO. O movimento, comandado por cabeças pensantes da bola, como Paulo André, Alex e Ceni, propôs a realização de copas estaduais no meio da temporada. É um caminho que beneficiaria os pequenos, que jogariam mais para chegar até a reta final, com os grandes.

Precisamos salvar os grandes de torneios deficitários e os pequenos da inatividade. Essa é a equação urgente. As federações, nichos de poder e enriquecimento, tremem na base ao ouvir falar em desidratação das suas galinhas dos ovos de ouro. Os clubes grandes, fortalezas por si só, sempre se dobraram a essa gente e alimentaram sua força política. Lá em cima, a CBF nem ousa bater de frente com seus currais, que lhe dão mais da metade dos votos na eleição para presidente. O sistema produz o clientelismo. Por isso, a reação tem que vir de clubes e, se estes ainda estão inertes (de vez em quando dão suspiros, como o trio Fla, Flu e Vasco, recentemente), enfim os atletas acordaram. Perceberam que são afetados diretamente e só perdem com o modelo vigente. O grosso dos jogadores profissionais brasileiros atua em equipes pequenas, pouco contempladas pelo calendário. Emprego precário, estado de semidesemprego. Os de ponta, por sua vez, têm pernas e músculos deteriorados por um organograma que mói seus corpos para que os tais cartolas se locupletem. Não há pré-temporada, há excesso de jogos e a irracionalidade impera. Este ano, com a Copa do Mundo, houve uma redução de datas, ainda bem aquém do necessário. Ainda assim, o campeão paulista, por exemplo, fará 19 jogos em sua trajetória em três meses. É um turno inteiro do Brasileirão. Qual o cabimento? NENHUM atleta ganha com esse formato de calendário. E o torcedor dá de costas para jogos sem importância, sem desafio. As marcas se deterioram, banalizadas.

O Brasileirão, em todas as suas séries, começando em fevereiro, como deseja o bom senso (nunca esqueçam desta palavra, é quase uma palmatória nas mãos dos antigos dirigentes nacionais), é uma necessidade. A competição nacional, em que pese a extensão continental do Brasil, deve ser como nos grandes torneios mundiais (somos ou não da nata do futebol global?). Deve ser o grande contemplado, com datas espalhadas, dando assim intervalos para Copa do Brasil, Copa Libertadores, Sul-Americana e as retas finais dos Estaduais. Se (ainda) não podemos rivalizar com a elite europeia na quantidade de estrelas que jogam suas competições deveríamos ao menos equiparar na quantidade de grandes jogos nos dias nobres. O Brasileirão garante duelos de grandes camisas todas as rodadas.

O romantismo nunca deve ser posto de lado, ele é a alma do futebol. Precisa ser preservado. Ignorar, porém, que ele não paga o almoço é ser irrealista e quixotesco. Precisa ser preservado em modelo cabível com os tempos modernos. Os times do interior ganharão, pois terão mais atividade, e ainda jogarão as divisões de acesso nacional. E os grandes não passarão três meses disputando jogos enfadonhos e sem rentabilidade. O futebol é dos clubes ou das federações? É de atletas e torcedores ou de dirigentes? Essas questões são chave para saber o que queremos.

Clubes como Grêmio, Inter, Corinthians, Palmeiras e outros tantos terão, ou já, seu estádios reformados ou novos palcos. Locais pomposos, que custarão caro para serem administrados. Precisam ter a garantia de jogos que atraiam os torcedores. Apenas com um calendário moderno e racional isso será possível. Se falamos de negócio falamos também de paixão. Uma coisa não exclui a outra. Partidas atraentes em estádios confortáveis é o que atrai torcedor. Obviedade das obviedades. E a TV também ganhará, com produtos mais sedutores.



  • Jocinei

    Realmente li sobre o calendário do Bom Senso e ficou muito bom , principalmente para os clubes menores que terão um calendário anual , idem para os grandes que terão menos jogos desinteressantes . Um exemplo claro que esse calendário que ai esta não pode continuar é o Bahia de Feira que jogou com o Corinthians , caiu fora da primeira fase do Campeonato Baiano e jogou a última partida dia 05/02 , agora jogou com o Corinthians e foi eliminado e só joga no fim de agosto pela Copa Governador do Estado . Espero que consigam introduzir esse novo calendário ,mais infelizmente acho difícil convencer a CBF .

  • André carvalho

    Primeiro, Rogério Ceni nunca foi um dos comandantes do Movimento Bom senso, inclusive os verdadeiros “Cabeças” se queixavam muito do Goleiro por se esconder até mesmo falar contra o movimento quando houve a proposta de Greve no fim do ano passado ou no começo deste ano.

    Segundo, se quer seriedade e lucro $$$, esqueça Estadual, acabou, findou, e teimoso é aquele que sabe disso, mas propõe mil e uma formas de tentar manter vivo um Zumbi.

    Terceiro, é tudo muito bonito, muito legal, mas o principal ninguém fala, de onde vai sair o Dinheiro para manter 8 a 9 meses de atividades de clubes que não tem torcida, sócios, patrocinadores, dinheiro de televisão?

    Abraços
    André Carvalho

  • Sou corinthiano e esse ano oque eu nao quero ler, é meu time reclamar de calendario, pois vai ter um baita tempo ate o campeonato brasileiro, oque manda mesmo no futebol europeu não acho que seja calendario isso, pre temporada aquilo, oque manda mesmo é dinheiro. Se fosse assim teriamos campeonatos muito disputados la, e não por dois times por pais. mas o ideal ao meu ver seria os clubes grandes dos estaduais os disputassem com o time B. Porem se fosse aqui que toda aquela grana europeia caisse, mesmo sendo um pais de pessoas corruptas, seriam investigados, la os arabes passam por cima de muita coisa, mas ninguem reclama.

  • É muita irresponsabilidade do jornalismo esportivo apontar a proposta do Bom Senso com a salvação do futebol brasileiro sem antes analisar todas as variáveis e os componentes envolvidos e afetados. E isso por puro modismo e oportunismo , pois é o tema em voga. Essa questão do calendário é de extrema complexidade para se passar os olhos e aprovar a mudança proposta. Repito , isso é irresponsabilidade. Uma proposta como a apresentada pelo Bom Senso exige um estudo de viabilidade Econômica antes de qualquer outra providência. Agora virou moda apoiar qualquer iniciativa ou proposta que parta desse tal Bom Senso.

  • Rafael Almeida

    “Questão de preservar a tradição…” Isso lá é argumento fundamentado para não se acabar com esses falidos estaduais ? Tradição são grandes rivalidades,grandes jogos como os clássicos interestaduais de RJ contra SP por exemplo e lógico também os clássicos locais que aconteceriam sem problemas num REGIONAL E não obrigar os torcedores a verem jogos tediosos de Gigantes x Nanicos.Vejam o exemplo da Copa do Nordeste.
    SUGESTÃO: Para se manter os estaduais se quiserem, coloquem os juniores para jogá-los,os estaduais de juniores já existem é sabido por todos,mas dar a eles o status de Campeões Estaduais de verdade,dariam um plus em termos de visibilidade para os garotos.As bases ficariam mais fortes,jogariam nos melhores horários nos estádios de médio e pequeno porte.

    Agora vamos lá a questão da inatividade dos pequenos,ora sabemos bem que o problema todo não é a inatividade,mas sim colocá-los para jogar contra os grandes.Todos sabemos que são os pequenos que elegem os presidentes de Federações estaduais,pois escandalosamente tem um poder de voto por vezes maior,quando se juntam que os clubes grandes,UM ABSURDO DESCOMUNAL.
    Ora os nanicos que façam fusões entre si,se reinventem,cresçam por si só e não que se arrastem para existir como sanguessugas as custas das estrelas do nosso futebol,as grandes agremiações.
    SUGESTÃO : No primeiro semestre façam um torneio estadual entre si. Numa nova realidade chamaria a atenção de todos,saber quem seria o melhor pequeno do estado,teriam visibilidade aí com certeza.Os melhores se classificariam para a Copa do Brasil.
    No segundo semestre disputariam as séries B,C,D e E se fosse necessário a criação desta última,a disputa dessas divisões seriam disputadas de forma regionalizadas,para se evitar gastos aos pequenos,exatamente como são hoje as séries C e D hoje.

  • Henrique Helio

    Sugestão:Começa o campeonato Paulista no mês de março com 64 clubes que não estão nos campeonatos brasileiros, Serie A B e C; Clasificarão para a fase final do Paulista, que sera disputado entre fevereiro e março do proximo ano, os clubes Paulista da serie A o melhor Paulista da serie B o melhor Paulista da serie C e mais os melhores dentre os 64 totalizando 16 clubes que serão divididos em 2 chaves classificando para o quadrangular final dois de cada chave.

  • Luis

    Acho ridícula a colocação do Valdomiro Neto de que a proposta de calendário não beneficia os cartolas, por uma lógica simples e objetiva, esse calendário propicia uma melhora dos campeonatos e por consequência o valor de mercado deles, logo os cartolas terão mais dinheiro para administrar. E qual cartola não quer administrar mais dinheiro?

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