Rivaldo, um retirante, um artista, um craque!



rivaldo
FOTO: Arquivo LANCE!
Rivaldo, que se aposentou no último sábado, foi um dos maiores jogadores brasileiros dos últimos 30 anos, certamente. Quiçá devêssemos colocá-lo na lista de todos os tempos. Não me assustaria com sua presença nessa seleção máxima,  mesmo com a constelação de meias e atacantes formidáveis que o Brasil produziu desde que Charles Miller resolveu apresentar a bola e um punhado de regras numa redescoberta do país.
Nas Copas de 98 e 2002 foi um monstro. Seu chute rasteiro, como víbora atiçada, de fora da área, no canto, era uma marca, seu veneno letal. Logo me vem à cabeça jogo contra a Dinamarca, nas quartas do Mundial francês, quando autografou: Eu decido! E pelo Barcelona também fez coisas incríveis. Talvez ainda não tenha sido dimensionado, colocado no panteão, por sua personalidade retraída, ensimesmada, sem pirotecnias. E dos fenômenos do futebol brasileiro é dos poucos que nasceu no nordeste, fora do eixo sul-sudeste. Rivaldo diz muito sobre o Brasil e suas diferenças.
Nos últimos anos lutou a mais dolorosa luta dos grandes jogadores. Esticou a carreira até o limite, não conseguia desapegar, sentia que tinha lenha pra queimar. Ou melhor, a sua memória do auge, os aplausos e incensos, eram  ludibriadores. Eles insistiam: Fica mais um pouquinho! Esses anos arrastados colocaram na distância do tempo o craque que foi e que, agora, deve receber os devidos tributos.
Dificilmente veremos mais esse retirante da bola, que, como o real migrante brasileiro, deixou o profundo do Brasil para  tentar a sorte na cidade grande, sem propagandas. Não cabia no modelo dos superstars. Mas a ele prestariam homenagens Luiz Gonzaga e todos os deuses da bola!


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