Neymar com o destino na Copa do Mundo



NEYMAR SELECAO
FOTO: Mowa Press
Neymar está à vontade com a camisa da Seleção. A Amarelinha lhe cai muito bem, obrigado! Vai para sua primeira Copa como se fosse um veterano. E essa confiança, que o torna o nome da equipe de Felipão, a esperança maior no hexa, construiu-se em menos de um ano. Antes da Copa das Confederações, a incógnita era aquela clássica, que volta e meia costuma gravitar em torno dos craques: vai reproduzir na equipe nacional o que faz no seu clube? Tudo muito rápido na carreira do moleque. Aquela atmosfera do torneio vencido pelo Brasil, com a simbiose campo-arquibancada, parece ter sido a lufada na alma do atacante. Ciente da superioridade do seu futebol, passou a exercê-lo no mais alto nível.

Há quatro anos era um pivete na bola, já produzia estripulias e Dunga não se deixou seduzir. Poderia ter jogado sua primeira Copa com 18 anos e, mesmo que não tivesse transformado o destino brasileiro no Mundial sul-africano, chegaria agora com alguma experiência no torneio. Em 98, Ronaldo pisou na França como superastro tendo uma edição na bagagem e nenhum minuto em campo. Sabia do ambiente, da convivência, dos batimentos cardíacos. O futebol, seu dom, não dependia muito disso. A cancha talvez. Há o contraponto, e ele é conhecido de todos da Indonésia aos andes chilenos. Pelé, 1958, tenros 17 anos, debutou na Suécia e assombrou suecos e o mundo todo. Os dois lados da moeda, dois exemplos que podem servir para o atleta do Barcelona brilhar nos neogramados nossos.

Além do desempenho satisfatório na Seleção, o camisa 10 (dez de Pelé) já tem um currículo bem fornido para sua idade. O drible fácil, a leveza do jogo e a boa técnica o tornam um jogador diferente. Elementar dizer que está atrás de Messi e CristianoRonaldo. Estes têm trajetórias mais que consolidadas, números estraçalhantes e a reverência do globo terrestre. Isso posto, é inegável que Neymar pode fazer tanta diferença por seu país quanto a dupla pelos seus. Na Copa, estão quites, lado a lado, no potencial definidor. O português, porém, joga quase sozinho na esquadra lusitana.

Daqui a pouco mais de três meses, quando a Copa estiver em andamento, a provação será a maior. Neymar terá oportunidade que figuras enormes como Pelé, Zico, Romário e Ronaldo Fenômeno não tiveram: jogar o torneio supremo em casa. Será a força-motriz de uma Seleção, o homem que poderá exorcizar um fantasma de 64 anos. De 50 para cá, o Brasil trocou o complexo de vira-latas pela soberania no futebol mundial. Mas perder a segunda Copa em casa é inimaginável, seria excessivamente doloroso.

Em 2006, a Alemanha perdeu, mas tinha 74 na memória e no coração. Itália, França, Argentina, Inglaterra e Uruguai, os outros campeões do mundo,  têm um troféu em seus domínios no currículo. Notem o peso que vem por aí. O hino cantado à capela pode escarnecer do Maracanazo. Neymar tem nos pés o ouro, é dele que se espera a costura da história. Ungido ou não, ele será o cara a estar no tempo e espaço ansiados. Que o imponderável, um senhor danado, se comporte!

Mais Seleção
A fraquíssima seleção da África do Sul não foi capaz de testar a defesa brasileira. Fernandinho, como primeiro volante nos 45 minutos iniciais, foi tímido, não exigido. Ao atuar mais avançado, mostrou serviço e fez belo gol. Se Felipão queria cultivar pulgas atrás da orelha, agora terá que expulsá-las. Parece ser esse o setor da dúvida, para o banco. Acho Hernanes mais completo, mas para o treinador ter experimentado o jogador do Manchester City é porque ainda está indeciso e só dará termo na convocação.

Um bom exemplo
Oswaldo de Oliveira busca soluções. É desse tipo de técnico que o futebol brasileiro precisa. O sujeito que olha para o que tem e tenta extrair pérolas. Que não faça como uns e outros que, com as burras cheias, ficam com queixumes de elenco, dando cutucadas em diretoria. Vejam agora que o técnico está achando uma maneira de encaixar o garoto Gabriel no time do Santos sem sacar Damião. No Botafogo, perdeu jogadores a rodo e seguiu remexendo e encontrando respostas.

Um lado já ganhou
Já podemos dizer, dentro da margem de erro das precipitações, que o Corinthians se beneficiou da troca de Pato por Jadson. O lado são-paulino do escambo só dará as caras mais para a frente, quando o atacante começar a jogar. Talvez a mudança de ambiente também desperte o ex-jogador do Milan. O fato é que Jadson está fulminante neste começo no Parque São Jorge. Chuta bem de longe, tem categoria na armação e está confiante. Será que desta vez Pato está incomodado?


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