Vaia de racista não vale!



Tinga, negro retinto, recebia a bola e ouvia urros racistas. A face nojenta da humanidade, que resiste ao tempo e à modernidade, desabava em sua cabeça preta.  Não tem como tolerar a intolerância. Não tem como ligar a televisão e, na sala de casa, no século XXI, após tantas conquistas civilizatórias, ver um Mein Kampf de vozes humilhando um ser humano pela sua cor de pele. Parei!

Poucas vezes viu-se algo tão grosseiro, rude e asqueroso. Parecia que estávamos nos mais rudimentares passos da nossa história. Valeria recitar os clamores de Castro Alves em O Navio Negreiro:

“Ó mar, por que não apagas co’a esponja de tuas vagas de teu manto este borrão? Astros! noites! Tempestades! Rolai das imensidades, varrei os mares, tufão!”

Existem muitos pecados ao sul do Equador, velho Chico. Os pecados de uma parcela da humanidade que escancara seu ódio, sua bílis suja.

Pobre, Tinga, que fez ali seu jogo, tocou sua vida em campo, mesmo com aquele barulho desumano. Poderia, iracundo, repetir Eto’o, que certa vez, na Espanha, quis parar o jogo exausto dos insultos racistas. A rebeldia individual tem que ser abraçada coletivamente. Dar um basta ao comportamento incivilizado, desrespeitoso, passa pela ação óbvia: punição. O exemplo para inibir o contra-exemplo. Braço cruzado significa conivência. Como a Conmebol tem sido campeã mundial nesse departamento ficamos desconfiados.

A alma de Tinga deve ter doido em Huancayo, no Peru.  Uma dor que roçou as Cordilheiras, gélidas e traiçoeiras. Vaia de racista não vale! Que a entidade sul-americana reaja com o vigor que a causa pede.



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