Pelé x Edson: A majestade e o plebeu



pele

FOTO: Tom Dibb

Edson que me perdoe, mas Pelé é que foi fundamental, monumental e intocável. O ex-camisa 10, eterno no maior dos esportes, fez com a bola o que nenhum outro ousou fazer, nem mesmo o saudoso Garrincha ou o nosso contemporâneo e genial Messi. Sem a bola, na carne de Edson Arantes do Nascimento, como o próprio rei distingue ao apontar o dedo para seu siamês plebeu, dá umas belas pisadas nela.

Edson enxerga e defende a todo momento o establishment quando se posiciona sobre questões extracampo. Destoa daquele Pelé que pediu, choroso, para olharem piedosos para as criancinhas famintas após o milésimo de tantos belíssimos e únicos gols. Disse o Edson em entrevista na última quarta que “política e corrupção” não são assuntos de jogador de futebol. Argh! Pelé fez o primeiro gol de placa, Edson não consegue emplacar ideias progressistas.

Pelé brilhou no tricampeonato, em meio à ditadura militar, nos tais 90 milhões em ação, por um talento que ainda não encontrou par. Não serviu ao regime do “ame-o ou deixe-o”, como os mais radicais pregam, serviu à nação com o brilho do seu jogo, nos alçou ao topo do mundo. Até os não gols foram festejados como maravilhas estéticas. Edson, no país dos 200 milhões em ação, pensa que manifestações contra os desmandos e mobilização de atletas atrapalham:

– Eu acho que era o momento de o Brasil faturar, ganhar muito com esses eventos importantes, ter turismo aqui, ter entrada de dinheiro, e estamos estragando porque um grupo fica deturpando.

Sou súdito da majestade Pelé. Não reverencio o conservadorismo de Edson. Este parece ter medo da mudança, enquanto aquele nos tirou do limbo, nos livrou do vira-latismo. Como pode, me pergunto? Só mesmo o descolamento de personalidade nos nome próprio e do apelido para entender essa duplicidade. O artista dos campos faz discursos áridos. Uma pena!

Pelé, ops, Edson insiste que “jogadores e Seleção não têm nada a ver com a corrupção na política”. Ele não enxerga que o futebol insere-se no mesmo contexto e a cartolagem é useira e vezeira nos maus hábitos. Pelé parou até guerra, conta a história. Edson, porém, quer paralisar a boa guerra, o bom combate, a luta por um esporte melhor.

Ainda bem que Pelé estabeleceu a diferença entre o jogador e o homem. Eles não mostram disposição de unirem-se na genialidade. Já que a vida imita a arte, ainda tenho fé de que um dia Edson imite Pelé.



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