Foi bonito o choro, pá, ó Ronaldo!



CRISTIANOCHORO

Crédito da Foto: AFP

Foi bonito o choro, pá! O gajo Cristiano Ronaldo se emocionou e o mundo se espantou. Ora bolas, mas o atacante é português e como escreveu Ruy Guerra nos versos de “Fado Tropical”, em música de Chico Buarque, “Todos nós trazemos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo”. No coração lusitano há tudo, menos pedra. A suposta vaidade extremada do jogador – quem julga isso? –  não exclui sensibilidade aflorada. Pode ser até sua coirmã. Cristiano é uma espécie de Camões da bola, é uma epopeia nos relvados, seja com a camisola branca ou com a grená. Só em 2013 fez  hat-tricks (três golos em só jogo, à portuguesa) OITO vezes. Somente o Velho do Restelo, o pessimista personagem de Os Lusíadas, tiraria os infinitos méritos do craque da Ilha da Madeira. Sua atuação na classificação de Portugal para a Copa, contra a Suécia, foi de fato um épico. Foi ali um heroi, como um desbravador dos mares na época das grandes navegações. Resolveu todas as paradas e só poderia mesmo dizer: “Eu sou o cara”.

Foi mesmo bonito o choro, pá! Cristiano é ibérico e homérico. Camões escrevinhou que cessassem do grego e troiano para cantar o peito ilustre lusitano. Nós aqui, muitos descendentes do país do vinho e do bacalhau, sabemos que o emocionalismo é também um insumo português. Não foi um chorinho minguado, uma lágrima de canto de olho, que poderia denotar afetação. Foram soluços, desses que interrompem falas, que vinham acumuladas. A rivalidade com Messi, tetracampeão da eleição da Fifa, não é fácil de encarar. A explosão física e a potencia no chute, somadas à habilidade, não turvam a emoção.

Foi lindo o choro, pá! Fez jus ao futebol apresentado, ao talento claro, evidente, questionado apenas pelos enjoados da bola. Na lapela do terno pomposo poderia vir um cravo, aquele usado na revolução que derrubou Salazar. Pois para Cristiano, vencer Messi é como ser revolucionário e seguirá sendo. É um gênio contemporâneo de um mito. Superar o mito é digno de choro incontrolado.



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