Trajetória de 50 pode repetir-se como farsa e um pouco de imaginação



O futebol dá asas ao imaginário. A Copa do Mundo é terreno fértil pra isso. Então aqui apenas um exercício de reconstrução da história, de distorção do Maracannazo que, claro, nunca será esquecido, está no DNA (foi tragédia pior que Canudos, exagerou com sua peculiar sinceridade Nelson Rodrigues)!. Numa máquina do tempo, um personagem de Antonio Fagundes, em curta-metragem maravilhoso, tentou reescrever o jogo contra o Uruguai. Foi vão, a bola de Gigghia entrou. As precárias imagens, em preto-e-branco, reprisadas recentemente em jogo do Uruguai em Montevideu, insistem em nos lembrar.

A tabela da Copa de 2014, que acontecerá 64 anos depois da hecatombe que assolou o Rio de Janeiro e, por extensão, a nação tropical, dá uma chance para o delírio. E delirar é preciso, viver nem tanto. Em 50, o Brasil encarou México, Iugoslávia e Suíça na primeira fase. Ano que vem terá México, Croácia e Camarões. Os mexicanos de novo! O time de Flávio Costa deitou e rolou: 4 a 0. Esqueçam essa coisa de freguesia pros mariaches. Em Copas, foram três confrontos e três vitórias, com 11 gols a favor e nenhum contra (além de 50, 54 – 5 a 0 – e 62 – 2 a 0). Seguindo o roteiro, o que tem a Croácia a ver com nosso drama histórico? Pedaço da ex-Iugoslávia, ora, ora… A Suíça não estará no caminho, a priori, mas tem má memória. Foi o único tropeço do time de 50 na primeira fase, um 2 a 2 frustrante no Pacaembu. Os alpinos estarão no Brasil, mas no distante Grupo E. Exorcizamos essa possibilidade.

Muitos roem as unhas para as oitavas. Espanha ou Holanda, provavelmente, no caminho. Resgatemos a história de 50, com público cantando Touradas em Madri no Maracanã abarrotado e implacáveis 6 a 0. Ali começava a sensação de que o título mundial era líquido e certo. Havia o Uruguai, com Obdulio e Gigghia. Rabiscando os passos podemos vislumbrar agora uma reprise de Brasil x Uruguai logo nas quartas. Reprise com freio, quando a história, mesmo que ilusoriamente, poderá ser recontada. Sonhar não custa nada!

Dos seis adversários brasileiros em 50 faltou citar um: a Suécia. Os escandinavos são os únicos que não virão ao Brasil. Então fica assim, o Brasil pode ajudar a dirimir as dores de 50 ganhando o Mundial em 2014, em solo pátrio, passando por mexicanos, ex-iugoslavos, espanhois e uruguais. Que a história não se repita, que mostre poder ser farsa.

 

 

 



  • E la vem 50 novamente. Como gostamos de nos sentirmos pequenos, de lembrar derrotas mesmo após 60 anos basta um jogo ou até uma remotíssima chance de jogar contra o Uruguai para repisarmos a copa de 50. Quando será que vamos no colocarmos em nosso lugar no futebol mundial? O Uruguai não joga nada desde 70 no entanto esquecemos nossos 5 títulos mundiais, dois vices e mais alguns terceiro lugares para enxergarmos fantasmas diante de uma seleção ridícula que parou em 50.

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