Brasil terá Copa cheia de camisas pesadas e alguns desafios continentais



hola x esp Espanha tentará no Brasil o bicampeonato mundial

Definidos os 32 países que estarão na Copa do Mundo de 2014 no Brasil (já inclui o Uruguai, que joga logo mais contra a Jordânia, em Montevidéo,  e abriu cinco de saldo, tarefa impossível, portanto, para os jordanianos) podemos constatar que teremos um torneio repleto de tradição. E também alguns desafios para continentes inteiros, como a Europa buscando acabar com o predomínio completo de sul-americanos nas Copas em seu território e africanos tentando  ir à semifinal pela primeira vez.

Abaixo listei dez pontos que expõem isso.

– Todos os campeões mundiais estarão no Brasil, algo que aconteceu quatro anos atrás, na África do Sul. Porém, como a Espanha obteve seu primeiro título justamente em 2010, este será o torneio que contará com o maior número de campeões na história (8)

– A África repete todos os seus classificados para a África do Sul. As exceções são justamente os sul-africanos, que estiveram no torneio por serem sede – na ocasião o Novo Continente, como agora a América do Sul, teve um representante a mais.

– A Bélgica ficou fora das últimas duas Copas, nunca foi a uma final (foi semifinalista no longínquo ano de 86), não é sede e mesmo assim será cabeça-de-chave. A Colômbia ficou fora das últimas três Copas, nunca foi sequer a quartas de final, não é sede (quando deveria ser, em 86, perdeu o direito por questões econômicas), e será cabeça de chave. A Suíça esteve nas duas últimas Copas, caiu nas oitavas em 2006 e na primeira fase em 2010, nunca chegou a uma final mesmo tendo sido sede em 54, e será cabeça de chave. Esse festival de líderes de grupo sem tradição deve-se à decisão da Fifa de usar seu controvertido ranking para definição dos timoneiros. A entidade, pelo visto, quer dar significado à tabela, que leva o nome de uma importante empresa que a patrocina, e deixa a tetracampeã Itália e as campeãs Inglaterra e França em potes secundários.

– A provável presença da França no pote 3, com outras potências no 2 (Holanda, Itália e Inglaterra) pode gerar grupo de potência inédita desde que a Copa passou a ter 32 seleções, em 98.  O risco maior fica para Brasil, Uruguai e Argentina, que podem ter dois europeus em suas chaves. Imaginemos Argentina, Itália e França em uma chave. Ou Brasil, Inglaterra e França. Seriam chaves cujo apelido “grupo da morte” parece insuficiente para designar.

– O Paraguai é o único país que ficou entre os oito primeiros no Mundial da África do Sul a não obter vaga no Brasil. Estendendo-se para os 16 primeiros (aqueles que foram ao menos às oitavas), apenas a Eslováquia junta-se aos paraguaios. Os outros 14 virão ao florão da América.

– Na famigerada Copa de 50 (famigerada para os brasileiros, claro) o quadrangular final teve Brasil, Uruguai, Espanha e Suécia. Do quarteto, apenas os suecos não estarão neste repeteco mais robusto (eram 13 países em 50 e agora serão 32). Nove das 13 que estiveram 53 anos atrás vêm mais uma vez. Se considerarmos Bósnia e Croácia como herdeiras da Iugoslávia, que foi inclusive rival brasileira na primeira fase na ocasião, temos então apenas três ausentes: Paraguai, Bolívia e Suécia.

– Qualquer uma das finais de 1966 para cá (12 decisões) pode se repetir no Brasil, gerando uma revanche: Inglaterra x Alemanha (66), Brasil x Itália (70 e 94), Alemanha x Holanda (74), Holanda x Argentina (78), Itália x Alemanha (82), Alemanha x Argentina (86 e 90), Brasil x França (98), Brasil x Alemanha (2002), Itália x França (2006) e Espanha x Holanda (2010).  Dos mundiais pré-66, pode se repetir somente a final de 30 (Argentina x Uruguai) e 50 (Brasil x Uruguai, que na verdade foi última rodada de quadrangular) . Suecos, húngaros e thecoslovacos estiveram presentes em finais no período.

– Os cinco africanos classificados têm a missão de tentar levar um time do continente pela primeira vez a uma fase semifinal. Três vezes africanos chegaram às quartas: Camarões, em 90, Senegal, em 2002, e Gana, em 2010.

– Todas as Copas disputadas na América do Sul foram vencidas por uma seleção do continente: Os uruguaios venceram em casa, em 30, e no Brasil, em 50. O Brasil foi o primeiro em 62, no Chile. E a Argentina triunfou em 78, em suas terras. Depois de 36 anos, o torneio volta ao subcontinente. Se estendermos para todo continente americano, as seleções do sul  seguem hegemônicas: Brasil e Argentina ganharam títulos no México (em 70 e 86, respectivamente) e o Brasil nos Estados Unidos, em 94. Os europeus têm um enorme desafio histórico, portanto.

– Das outras três copas disputadas neste milênio a Turquia é a única semifinalista que não estará no Brasil. Em 2002, a seleção que tem parte do território na Europa e parte na Ásia foi terceira colocada. Os outros semifinalistas na ocasião foram Brasil, Alemanha e Coreia do Sul. Em 2006, França, Portugal, Alemanha e Itália formaram as semifinais e em 2010 foram Alemanha, Espanha, Holanda e Uruguai.



  • JEAN CARLOS REGIS

    Faltou relacionar entre as finais, Brasil x Itália (1994).

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