Tite veio sem muita conversa, sem muito explicar



Tite veio sem muita conversa, sem muito explicar, como o homem da canção italiana Gesù Bambino (Menino Jesus), adaptada lindamente por Chico Buarque. No meio, houve quem falasse muito. No meio, como uma pedra dessas descritas por Drummond, houve um Tolima e com ele quase a interrupção de um trabalho histórico ainda na raiz, sem frutos, sem nada. Não houve a poda e veio a glória. Um título cuja ausência era, ele sim, uma pedra. Pedra no sapato e na alma dos milhões de fieis torcedores. A Libertadores veio pelas mãos de Tite, titânica, tinindo hoje no Parque São Jorge, acompanhada de um Mundial suado, conquistado com gol de Guerrero – mais sugestivo impossível!

Tite veio sem muita conversa, sem muito explicar porque com a timidez de quem andava sumido, descartado, em algum limbo desenhado para os técnicos, nessa roda viva que é o futebol. Agigantou-se mês a mês, deu a cara a tapa, exibiu suas bocas e gestos, com olhares brilhantes, em entrevistas laudatórias e didáticas. Ele e o grupo! O grupo e ele! Numa corrente que sempre pareceu inquebrantável, eterna.

Houve síndromes de empatite na trajetória. Houve defesa intransponível. Houve críticas. Mas, acima de tudo, houve uma marca. Esses pouco mais de três anos de Tite no Corinthians foram coisa rara, raríssima, companheiro! Lembraram, deixando as proporções resguardadas para quem as queira, a era Telê no São Paulo. Anos dourados, de um ouro extraído de trabalho, filosofia e resultados.

A festa está prestes a acabar. As lembranças, rebeldes, não acabam nunca. Os corintianos lembrarão destes anos de Tite com coração acelerado e lágrimas nos olhos.



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