Penso que Mano deveria ter a razoabilidade de Tite



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Ninguém entendeu a saída abrupta de Mano Menezes do Flamengo. Ou melhor, entendeu que o técnico arregou. Enquanto não der alguma explicação sólida, é isso: Mano sentiu o aperto e abandonou o barco. Salve-se quem puder! Não combina com a imagem pública do treinador, com seu semblante fixo, olhos contraídos e fala pausada. Aparências podem enganar, isso é lema antigo de sabedoria popular. O seu estilo até mecânico de iniciar falas, o tal “penso que…”, cedeu inesperado lugar a um “não penso, logo inexisto”. A segurança escorregou para o brejo numa noite carioca? Ou estava lá dentro, esperando para pulsar? Só ele poderá dizer. Se é que vai um dia dizer! Fatos e ideias, nesse caso, não se cruzaram. Um técnico que dias antes falou em conquistar a Copa do Brasil, vejam só. Bipolaridade? Jogo de cena? Festival internacional de perguntas irrespondidas.

A gente entende, mas não deveria, cogitar-se que Tite pode deixe o comando do Corinthians. Entende porque acostumou-se que no futebol brasileiro só resultados ditam os rumos. Não deveria, porque justamente resultados não faltaram até hoje nesse titânico Timão. Trabalho mais notável do futebol brasileiros nos últimos anos, sucessor justamente de Mano Menezes, foi o desenvolvido por seu Adenor no clube paulista. De repente, uma coletânea de maus resultados, um time apático (e que tinha pinta de favorito…) e o velho chavão da culpa do técnico volta à tona. Nem ele resistirá? Nem o campeão do mundo há menos de um ano? Não haverá resistibilidade e suportabilidade, usando o sufixo que é sua cara, para esta situação? O “senhor da guerras e demandas” recentes não dá sinais de querer abandonar o barco, como seu conterrâneo Mano. Não tá morto quem peleia, diz a gauchesca expressão. Mano não dá mostras de concordar. Tite a assina embaixo!

Adenor de Menezes, subproduto de laboratório dos dois técnicos, poderia explicar o quadro dos dois times mais populares do país. Com a palavra…

– Penso que esse quadro de instabilidade dos técnicos brasileiros…  – ameaça dizer Adenor de Menezes, meneando os dedos como sempre faz, olhos rígidos no interlocutor.

Não, não iria dar certo. Tite e Mano são personalidades díspares e representam escolhas diferentes. Ambos são elogiados por seus conhecimentos táticos. Tite, porém, parece ser mais capaz de ir além. De manusear o grupo, insuflar-lhe ânimos com seus dotes de pastor. Mano, por sua vez, perdeu os trilhos na Seleção e agora no Flamengo. No time brasileiro foi mais vítima do jogo político. No clube carioca, termina como réu. Vítima poderá ser Tite em futuro próximo se apeado do comando corintiano. Vítima que Mano transformou em culpa ao se mandar do Flamengo. Tite pode ser vítima do costume brasileiro de jogar tudo no colo de técnicos, como solução mais rápida para acalmar os ânimos das arquibancadas. Réu foi Mano, que deu as dirigentes munição para dizer: Olha aí, os técnicos fazem o mesmo!

Penso que Tite tem a razoabilidade então!



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