Em jejum, trio se engalfinha pelo título brasileiro



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FOTOS: LANCE!Press

O Botafogo não deixa o Cruzeiro descolar. O Grêmio, logo atrás, também não perde o compasso e não deixa o chimarrão esfriar. A disputa pelo título do Brasileirão parece – e as aparências no futebol são traidoras nos campos, advirto – concentrado no trio. Consistentes, acumulam vitórias, pouco têm tropeçado, mostram solidez, se impõem. Nenhum paulista cortejando a taça até aqui, o que assombra pela realidade que acompanhamos nos últimos anos. Alguma coisa está fora da ordem ou a ordem das coisas por aqui é essa mesma, a da desordem, tamanha a quantidade de grandes clubes no país tropical? Por razões diversas o triunvirado que comanda a tabela está com a crista alta.

Os mineiros, com elenco polpudo, recheado de opções, um futebol rápido, dinâmico, e um estádio que se amolda ao ótimo jogo, não estão dando brechas. Um triunfo atrás do outro. Uma equipe que encaixou e cujos jogos são alucinantes. Os cariocas têm contrariado a sina que os carimbou fortemente: coisas que só acontecem com o Botafogo. Ou melhor, o bordão agora tornou-se bem-vindo: Há belas coisas que só acontecem com o Botafogo! Estão aí a provar essa virada as vitórias no apagar das luzes contra Criciúma e Corinthians (justamente o time consagrado na história pelas vitórias sofridas, na base da raça). E o fato de garotos desconhecidos repentinamente brilharem e jogarem como veteranos. Primeiro era Vitinho! Agora é Hyuri!  Fenômenos inexplicáveis, ou explicáveis pelo espírito de um grupo? Por fim, o Grêmio. Dos três, a equipe com mais fama e fortuna nos nomes: Elano, Zé Roberto, Barcos, Kleber, Vargas, e por aí vai… Um time que demorou para engrenar e que, agora, está com a cabeça imersa no campeonato.

A Raposa foi a primeira campeã da Era dos Pontos Corridos com futebol vistoso. Faz dez anos! O Botafogo há quase o dobro de tempo não fatura o título. O Grêmio está perto de completar também duas décadas de jejum. Resumo da ópera: estamos perto de um encerramento de seca no principal certame nacional para uma massa apaixonada. Estamos calejados no formato de disputa, é a 11ª edição do modelo. Essa escolaridade obriga-nos a não descartar que algum time mais atrás desponte, dê um sprint à Usain Bolt neste segundo turno, roube a cena e o título. Vimos isso acontecer em 2008, com o São Paulo e 2009, com o Flamengo. por exemplo. O surpreendente Atlético-PR, o esquisito Corinthians (favoritíssimo que tem decepcionado com futebol modorrento), o ascendente Santos, que muitos deram como candidato ao descenso após a saída de Neymar, e até o Internacional estão ainda à espreita, de olhos arregalados.

Outro aspecto interessante, coincidente, entre os três ponteiros é o fato de jogarem em estádios novinhos em folha. O Botafogo, que perdeu o Engenhão de forma sinistra, vem brilhando no novo Maracanã. O Cruzeiro manda seus jogos também em um repaginado Mineirão (pela TV o que parece mais bonito dos recém-nascidos palcos). E o Grêmio na sua novíssima arena, local que mais encantou alguns repórteres amigos meus e que não está no circuito da Copa do Mundo. Mas isto é, suponho, apenas uma rima, não uma solução, como diria Drummond. Há até contraponto, pois o Náutico agoniza e postula ser a pior campanha deste novo período do Brasileirão jogando na Arena Pernambuco, e no Mané Garrincha, e seu horrendo gramado, mandaram algumas partidas os titubeantes Flamengo e Vasco.

E para não dizer que não falei dos técnicos, talvez as figuras mais comentadas (o que é um mau sinal) do nosso jogo, lá vai! Dois oliveiras, Oswaldo e Marcelo, e um ex-boleiro, Renato, lideram as melhores campanhas do Brasileirão. Oswaldo depois de longo retiro no futebol japonês faz trabalho sólido no Botafogo, mesmo com sérios problemas estruturais, como atraso no pagamento de salários. Marcelo Oliveira é desses que comem pelas beiradas, como é tradição entre mineiros. Associado ao rival Galo, onde jogou e treinou, já tinha feito boa cena no Coritiba. E Renato Gaúcho, já técnico de longa data, em vez de dar trela à paparicação em torno da bela filha vem fazendo um elenco que emperrou com Vanderlei Luxemburgo e seus projetos ser competitivo.

Na proa há, portanto, um trio de respeito!

 



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