E agora? É Pato aqui ou acolá?



No dia em que completou 24 anos, Alexandre Pato, eterna esperança de fenômeno, ganhou uma nova oportunidade na Seleção Brasileira.  Cerca de 24 horas depois de brilhar em um jogo de massa, com a camisa do Corinthians contra o Flamengo, no Pacaembu. Conspiração de fatos positivos que reacendem a chama do rapaz. Até quando? No futebol, fazer profecias não é bom negócio – há ramos da vida em que isso dá muito dinheiro ou projeta a falência, como no mercado de ações, mas no jogo de bola não passa de charlatanismo barato (tá certo, muito empresário ganhou e segue ganhando dinheiro na lábia, mas são outros quinhentos estes).

A pouco menos de um ano para a Copa do Mundo, o atacante que foi guardado a sete chaves pelo Internacional e lá quase não jogou – tivemos uma fagulha de talento em jogo contra o Palmeiras, no fim de 2006 – tem, com a grave lesão de Fred, nova oportunidade.  No Milan, onde muitas vezes parecia tratado como bibelô, tendo o namoro com a filha do todo-poderoso e histriônico Silvio Berlusconi como símbolo disso, habitou mais o departamento médico que os gramados. Pois no Corinthians – milagre ou competência? – tem tido sequência, já foi vaiado e já fez mais gols que o artilheiro da equipe alvinegra no ano passado, o volante agora exilado Paulinho.

Todo esse caldo faz com que Pato ainda conviva com o olhar enviesado de público e crítica. Estamos em uma gangorra e, ao que parece, essa desconfiança vem do peso das expectativas lá atrás. Estamos falando de um jogador que, nem completados 18 anos, já era tido e havido como promessa das promessas. Dessas que surgem de tempos em tempos. Compare com Neymar, mais novo que ele, e note que o cenário já mudou. O hoje atacante do time mais paparicado do mundo, o Barcelona, colecionou feitos com a camisa do Santos, com profusão de títulos e números assombrosos – é o maior artilheiro do clube após a era Pelé, deu um título internacional de grande porte após mais de 40 anos de jejum e até gol mais bonito do ano no mundo pela Fifa.

Com os fatos na mão, a história ganha curvas. Pato tem evidente categoria para fazer gols, para definir jogadas, e, livre de problemas físicos, ser um jogador importante. Daí a ter condições de responder ao que nele se depositava – e era uma barbaridade – vai terreno. No futebol é difícil identificar se nos entusiasmamos mais com o que acontece realmente ou com o que promete ser. Quando surge um menino com dotes logo os foguetes são soltos, sem a devida paciência para que os fatos maturem. E advém da febre das expectativas essa trajetória louca de um jovem que aparece como preciosidade e logo deixa o país para jogar em um time de ponta da Europa e, poucos anos depois, ainda em idade tenra, retorne ao país para jogar num importante clube local com o mesmo status de início: vingará? O bom momento no Corinthians e o retorno à Seleção abrem um novo caminho. Como no esporte, que depende de físico, o tempo não é o mesmo da vida do entorno, esses caminhos são escassos. Logo, teremos uma resposta.



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