No Brasil, é no fim que se altera o placar



Torcedores brasileiros, sentai-vos até o apito final! Está por ora não recomendada aquela retirada poucos instantes antes de o juiz decretar o “c’est fini”. Nunca ante s o lendário Vicente Matheus esteve tão recoberto de razão. O jogo só acaba quando termina. Tem sido assim. Quando menos se espera vem coisa boa (ou má, a depender de que lado se está). O torcedor da Lusa, por exemplo, tem vivido pesadelos quando a areia da ampulheta começa a se esgotar. O time é o rei de tomar gols no crepúsculo dos jogos, vendo ir para o brejo vacas que pareciam nele estar bem assentadas. Foi assim contra os Atléticos Paranaense e Mineiro, Criciúma, Coritiba e Vitória, no Brasileirão, e Bahia, na Sul-Americana. Até psicólogo o clube rubro-verde contratou para tentar desvendar o que se passa, o pá!

É um fado a cada jogo.  Os cardíacos lusitanos precisam de renovados marca-passos. É verdade que já se beneficiaram do lado gostosura de mudar o placar quando os refletores já ameaçam apagar-se.  E, delicia das delícias, foi gol de goleiro, Lauro, contra o Flamengo. O mesmo que dez anos atrás havia registrado o feito, quando jogador da Ponte Preta contra os mesmos rubro-negros.

“Veja bem, preste atenção, está é a canção do Brasileirão”. A paródia a Roberto Carlos é um alerta aos torcedores brasileiros. Fique até o fim, e com os olhos esbugalhados. Vimos isso na Copa do Brasil. Grêmio e Santos caminhavam para a disputa de pênaltis quando, aos 42 do segundo tempo, o zagueiro Werley rompeu o código dos defensores e castigou seus colegas de profissão santistas dando a classificação aos gaúchos. No Maracanã, o franco atirador Flamengo, empurrado pela massa, viu Elias fazer o gol da reconciliação nos estertores, para o time do povo, que afogou o favoritismo cruzeirense.

É cruel para quem leva! É o deleite para quem faz! É emoção garantida para quem apenas assiste! Os santistas estão na onda dos patrícios. A eliminação para o Grêmio não foi um capítulo isolado das dores do gol temporão. Contra Coritiba e Vasco vitórias escaparam na bacia das almas.  E dentro do alçapão, tão cantado em verso, prosa e hino por sua força vital para o Alvinegro. Logo logo, o time pedirá que os jogos passem a ser disputados em dois tempos de 40 minutos. Medida cautelar, meus amigos. Talvez, moção por episódio que cravou de pregos as almas do Peixe em 2001, naquele malfadado gol de Ricardinho nos acréscimos da semifinal do Paulista. Castigo divino ou rumo de um jogo que usa as indumentárias cálidas do acaso?

O gol no fim é uma explosão atômica de risos e fanfarras. Hoje flamenguistas e gremistas devem estar com o sorriso de orelha a orelha. Mesmo sem aumento, devem tascar um beijo no chefe. À noite, devem ter feito declarações de amor eterno a suas parceiras (os). É a festa de improviso, quando anunciavam-se as trevas. E, sabe-se bem, o que vem de repente, surpreendente, tem mais sabor. No drama se constrói o épico. O futebol brasileiro tem sido prato cheio para quem gosta da noite que vira dia.



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