Gylmar, o goleiro que aninhou a emoção de um menino-rei



gylmar

Mirem a foto acima e chorem, rapazes e meninas. No preto e branco, a glória que esse clique abriga é eterna. Brasil, campeão do mundo pela primeira vez! Brasil, enfim exorcizando os males de 50! E um menino-rei, que encantara o mundo no torneio, chorando emocionado no peito de um que poderia ser seu súdito, mas era líder (roubo a palavra do próprio filho, Marcelo). Mas esse peito, de um homenzarrão empertigado, era o simbolo de tudo. Na imagem,, ele é altaneiro, com mitos da grandeza de Djalma Santos e Didi o circundando. Altaneiro como seu nome Gylmar dos Santos Neves. Enorme! Gigante! Um goleiro com nome e dois sobrenomes, a dar-lhe a altura dos feitos. Um nome com ipsilon de batismo, uma raridade no Brasil. Um raro guarda-metas.

Pois Gylmar partiu ontem. Suas glórias ficarão para sempre. Meu avô, santista, sempre me falou do maior goleiro de todos os tempos. Não o vi jogar, mas para mim encarnou-se a certeza: foi o maior goleiro de todos os tempos esse Gylmar. Dois títulos mundiais como titular da Seleção Brasileira, sendo o de 58 com o time tratado por muitos como o maior de todas as copas. Dois títulos da Libertadores e Mundial com a camisa do maior Santos de todos os tempos, da provavelmente maior linha de uma equipe brasileira que a história já registrou, com Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Gylmar foi titular do que houve melhor e iniciava suas escalações. Nos deixa um enorme legado de memórias fabulosas.

A imagem diz o que nem um livro recoberto de palavras consegue. Pelé, novinho, aninhou-se no peito de Gylmar para chorar. Não conteve sua comoção no jogador que primeiro vazou em sua carreira profissional pelo Santos. Um instantâneo para a posteridade. Pois então, fiquemos com essa foto no coar do memória. Não há nada que simbolize melhor o que foi Gylmar. Da posição em que tanto se fala da solidão, a ponto de a grama não nascer, foi quem coletivizou a emoção ao abraçar o garoto que se tornaria a partir daquele mundial o atleta do século XX.

Descanse em paz, Gylmar dos Santos Neves!



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