Bahia 4 x 7 Santos – uma noite inesquecível de um franzino Robinho!



Eram os tempos da segunda Geração de Meninos da Vila. Turma que no ano anterior havia tirado o Santos da catacumba com o título brasileiro e o reencontro com as glórias. Naquele 22 de outubro de 2013, Robinho, eternizado pelas pedaladas no lateral corintiano Rogério na final do ano anterior, teve uma das suas maiores atuações com o manto alvinegro. O placar, sui generis para um jogo de futebol moderno – não era incomum nas primeiras décadas do esporte – se deu na velha Fonte Nova (hoje é a arena (argh!): 7 a 4 para o Peixe.

O jogo, disputado numa noite da quarta-feira soteropolitana, teve uma jornada de reviravoltas. O Tricolor Baiano esteve duas vezes na dianteira do placar – ao todo foram três viradas. O então ainda magricelo e arisco atacante – hoje mais corpulento e menos desenvolto – fez dois gols, sendo um deles inesquecível, ao encobrir o goleiro Emerson da intermediária. Ainda participou de outros dois, com jogadas de rapidez de raciocínio e agilidade com os pés. Seu indissociável companheiro, que fez da dupla uma das mais marcante da história santista, Diego, também fez dois. O lateral Léo, hoje o maior vencedor no clube na era Pós-Pelé e que ainda atua, fez um, e William, ele mesmo, o atual artilheiro do Brasileirão, fez outro.

O Santos tinha em campo naquele dia a base do time de 2002 e ainda contava com Leão no banco. As diferenças, pontuais, estavam na lateral direita (Neném e depois Reginaldo Araújo em vez de Maurinho) e no ataque Fabiano – o que era genro do técnico Luxemburgo – na vaga do artilheiro Alberto. Do lado baiano o destaque era Preto, o que acresceria Casagrande ao nome no ano seguinte, quando seria campeão brasileiro pelo próprio Santos. E ainda contava com o atacante Didi, que teve passagem nublada pelo Corinthians.

O triunfo em jogo de 11 gols foi muito comemorado na ocasião por coincidir com a derrota do Cruzeiro para o Internacional, que fazia cair para seis pontos a diferença do Peixe para a Raposa naquela que era a primeira edição do nacional por pontos corridos – no fim, os mineiros se desgarrariam mais, com o brilhante Alex no apogeu, e ficariam com a taça.

Neste domingo, oxalá tenhamos um jogão como o de quase dez anos atrás, com muitos gols e fantásticas jogadas. O contexto é outro, o Bahia está acima do Santos na classificação, mas há uma nova leva de meninos de um lado e do outro um time que vem surpreendente sob o comando do promissor Cristóvão Borges – por curiosidade, na partida relembrada aqui o time de Salvador era comandando por outro técnico negro, Lula Pereira, uma raridade, infelizmente, cultivada ainda pelo racismo no país.

BAHIA 4 X 7 SANTOS

Campeonato Brasileiro – 38ª rodada
Data: 22/10/2003
Local: Estádio da Fonte Nova, Bahia (BA)
Público: 17.545 pagantes
Árbitro: Jorge Fernando Rabello (RJ)
Gols: Didi (2 vezes), Cícero e Preto para o Bahia; Robinho (2 vezes), Diego (2 vezes), Léo e William para o Santos

BAHIA: Émerson; Guto (Paulinho), Accioly, Marcelo Souza e Lino; Neto, Ramos, Preto e Cícero (Danilo). Jean Carlos (Nonato) e Didi. Técnico: Lula Pereira

SANTOS: Fábio Costa; Neném (Reginaldo Araújo), Alex, André Luis e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano (William) e Diego; Robinho e Fabiano. Técnico: Emerson Leão



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