Walter, o devorador de bolachas e gols



Campeonato Brasileiro 2013 - Série A - Goias x Flamengo
FOTO: Carlos Costa

O atacante Walter, do Goiás, vem impressionando a galera com seu porte físico avantajado para um boleiro profissional. Na verdade, o que tem impressionado é a combinação da fofura com eficiência técnica. Os quilos a mais (93 distribuídos em medianos 1.78 de altura, segundo o próprio jogador em embasbacante, pela sinceridade, entrevista ao repórter Carlos Eduardo Mansur, do jornal O Globo) não o têm impedido de jogar em alto nível. Cinco gols no Brasileirão o colocam como artilheiro do Goiás na competição – o time fez 12 ao todo. Aos 24 anos, o avante mostra mobilidade atípica para um gorducho e tem uma pancada no pé de furar o filó, como diriam os velhos locutores esportivos.

O futebol moderno está abarrotado de aparelhagem e técnicas para melhorar o rendimento físico dos jogadores. Nutricionistas são integrantes fundamentais das comissões de clubes, com seus cardápios variados, os combustíveis para percentuais mínimos de gordura, abdômens trincados, atléticos atletas… O “rebelde” Walter, pois, devora bolachas recheadas e toma litros de refrigerante diariamente. Esse é o cardápio noturno do artilheiro, revelado por ele na mesma entrevista. Para ele, no embalo da rainha Xuxa, a vida “é doce, doce, doce”. Fugindo aos draconianos regulamentos vários, empapuça-se de guloseimas após os puxados treinos de uma equipe profissional. Com os genes da tendência, e a fome que o persegue, o atacante é um devorador de gostosuras e de defesas rivais. É uma atração à parte.

Na sociedade dos padrões, sempre os rompedores dão oxigênio, uma lufada de amadorismo. Eles são baforadas de humanidade em meio à busca da perfeição. Walter é um representante dessa vital quebra de paradigmas. Vivem repetindo por aí que o futebol é um esporte democrático, que permite a baixotes como Maradona e Messi serem craques históricos. O jogador do Goiás queixa-se de “bullying”, mas na verdade tem mais é solidariedade e popularidade. Enquanto Cristiano Ronaldo, com sua gomalina nos cabelos e camisa erguida a expor quadradinhos pétreos, tem sua imagem em outdoors europeus, o nosso herói do cerrado com sua barriga protuberante mostra que os despadronizados também podem ter vez. Em sua cativante inocência, ele não sabe, mas presta um serviço à natureza.

Enquanto escrevo este texto, Walter, após fazer no empate por 1 a 1 com o Flamengo, pode estar comendo uns biscoitos de chocolate ou uma barra de diamante negro. Lambuza-se na fama e na fortuna, porque, assim como o céu, o gol é para todos, meu caro Hemingway.



MaisRecentes

Recortes do precário futebol brasileiro



Continue Lendo

Rica em talentos, França rompe com paradigma recente



Continue Lendo

Espanha morre abraçada ao ‘tiquitaca’ odiado por Guardiola



Continue Lendo