O Galo tece inúmeras manhãs e desenha sua homérica epopeia



Atlético-MG - campeão
Galo conquista pela primeira a América, e de forma clássica (FOTO: Vanderlei Almeida/AFP)

O Atlético Mineiro não é mais mineiro. Minas, assim como para o José de Drummond, nem há mais para o Galo. O Atlético, que o seu presidente não gosta de chamar de Mineiro, tornou-se na noite de 24 de julho, já madrugada de 25 de 2013, Americano. Transcendeu seus limites geográficos. O Galo forte e vingador chegou ao ápice sonhado por dez entre dez times brasileiros sem de fato e com de direito João Leite, Nelinho, Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Reinaldo, Éder Aleixo, Dadá Maravilha e muitos outros ídolos que cimentaram sua história antes que Ronaldinho, Victor, Jô, Diego Tardelli, Cuca e grande elenco dessem a pintura final. Mas a argamassa foi ela, a massa que torce como quem se contorce e retorce desde o pênalti defendido no último lance contra o Tijuana, passando por resultados mágicos contra Newell’s e Olimpia. Quando a estrutura ameaçou desabar foi ela a revitalizadora. O tricampeão eram os paraguaios, o dono das arquibancadas era o galo, que ergueu a crista para a Libertadores. Até os 12 profetas de Aleijadinho, lá na mineira Congonhas do Campo, já previam esse título.

Se João Cabral rabiscou que um galo sozinho não tece uma manhã, ele não conhecia o Atlético. Se bem que este Galo puxa os cantos de milhares de galos, seus torcedores apaixonados. Vencer, vencer, vencer… O hino reafirma o destino desenhado. O resultado do antes mineiro e agora americano teve os gaúchos Victor e Ronaldinho, os paulistas Jô e Tardelli e outros personagens de diversos rincões do país. E no banco um técnico marcado pelas revoluções, dessas cotidianas que vemos no futebol em que a síndrome das derrotas cria o “calo da vitória”, mais uma vez citando João Cabral. Cuca não é Zagallo, mas teve no ano 13 do segundo milênio o prêmio de sua persistência. As superstições não compõem o maior dos seus arcabouços, mas sim a capacidade de armar times com fome, com ânsia de vitória.

O roteiro foi de um epopeia de fazer inveja ao grego Homero. Ulisses vestiu-se de Galo para encerrar os longos bordados de Penélope. É Odisseia em preto e branco! Se em Minas não há mar, que o mar de gente atleticana invada Minas. Invada as fronteiras, por elas extrapole e rompa a América! O genial escritor das Minas Gerais Otto Lara Resende que me perdoe, mas sua ideia de que apenas no câncer o mineiro é solidário derreteu-se perante os fatos. A solidariedade passional dos seguidores atleticanos foi a maior das lições desta Libertadores. Foi como se a multidão, antes no Horto e por fim no Mineirão, determinasse o rumo das coisas, dos amores e do êxtase total.

O Atlético foi o primeiro campeão Brasileiro da era moderna, em 1971. O Atlético é o atual campeão da América, obsessão dos clubes locais. Podíamos fechar assim, com principio e fim dourados, mesmo sabendo que o tempo segue seu fluxo indiferente. De penalidade em penalidade o Galo encheu o papo e agora cisca de orgulho, de vaidade incontida. Tece seguidas manhãs para os seus entusiastas. Agora virá o Mundial no Marrocos e que venham novos belos horizontes para o Galo!



MaisRecentes

Alemanha x Brasil: aprendizado por linhas tortas



Continue Lendo

Messi ameaça driblar o tempo



Continue Lendo

Do Majestoso e suas armadilhas



Continue Lendo