No Brasileirão, os velhinhos mandam e os jovens reverenciam



velhinhos
Alex, Zé Roberto, Seedorf e Juninho são os astros do Brasileirão

No Brasileirão, eles poderiam ter como hino músicas que viraram folclore do nosso cancioneiro. É a tal panela velha que faz comida boa. Ou, no que foi jingle de candidatura presidencial de Ulisses Guimarães em 89, “bote fé no velhinho, o velhinho é quem faz”. São veteranos na pírâmide etária da bola, embora jovens se mirada a expectativa de vida vigente. Têm talento de sobra, carreiras vitoriosas e, ainda assim, fazem bons estragos. Todos do meio para a frente, driblam a garotada e decidem. Alex, Zé Roberto, Seedorf, Juninho Pernambucano… Há quem faça as relativizações de praxe citando os problemas táticos do nosso futebol, em que há muito mais espaço para o jogo que na desenvolvida Europa. Ora, ora, ora, com verdades óvbias não se discute, mas há uma outra verdade que berra: O espaço, como a praça Castro Alves, pode ser do povo, mas só os fora de série dele tiram proveito. Analisemos a competência de tirar proveito do que é ofertado.

Com muito dinheiro no bolso, os “velhinhos” não se acomodam, ainda suam a camisa e, de brinde, deixam o coração latejar. Já que o cofre está repleto por carreiras douradas, louvam o romantismo. Juninho, que, se quisesse, já ouvi dizerem por aí, seria prefeito na francesa Lyon, ama o Vasco! Alex, divinizado pelos torcedores turcos do Fenerbaçe, tem apreço declarado pelo Coritiba. Escolheram a camisa por sentimentos que deixam um pouco de lado o tão surrado lema do profissionalismo. O holandês Seedorf, herdeiro da consagrada técnica laranja e que fala um português redondinho, teve o amor como filtro também. A esposa brasileira queria vir para o país, e ele abriu os braços para o Rio de Janeiro, como um cristo redentor alvinegro.

A vibração de Alex no segundo gol contra o Santos foi de um adolescente que começa a ganhar espaço. Na cabeça devia reverberar: “Eu ainda posso, eu ainda posso!”. Juninho, empolgado pela volta ao Maracanã, mesmo que não seja o velho Maraca, decidiu um clássico como se no auge estivesse. Seedorf, semana passada, fez um gol que foi uma joia, contra o Grêmio, em chute reservado a poucos, raros. A qualidade é senhora, desde que o futebol é futebol é assim. Quem conhece não esquece. Ainda mais quando o físico não parece judiado, a forma segue exuberante. Nessas horas, a experiência, os conhecimentos, fazem as pernas falarem com elegância.

O fenômeno dos jogadores-vinho, que parecem melhores com a idade e não se transformam em viangre, não é exatamente uma novidade. Quem não se lembra do Evair na reta final, quando tornou-se um assistente para atacantes no Palmeiras e no Vasco? E Giovanni, no primeiro retorno ao Santos, quando fez algumas partidas de tirar o fôlego – algo que poderia faltar a velhos guerreiros. Aos 40, Romário dominava a área como poucos. Os exemplos são fartos de que no jogo de bola a idade, para quem sabe das coisas, pode ser um mero detalhe.



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