Livro sobre façanha santista em 2002 busca financiamento para existir



robinho 2002
Robinho conduziu Santos no inesquecível título de 2002 (FOTO: LANCEPress!)

A campanha do título de 2002 foi uma espécie de alforria para o torcedor santista. Após 18 anos de sofrimento, com times ruins, sarro dos torcedores rivais – os cânticos de “Pelé parou, o Santos acabou!” eram comum nos jogos – e poucos momentos de esperança, como os menos cobiçados títulos do Rio-São Paulo (97) e Conmebol (98), além de um dolorido vice-Brasileiro (95) -, um título que parecia rabiscado pelos deuses. Com um punhado de garotos, como reza sua tradição, uma classificação na bacia das almas e vitórias categóricas contra dois arquirrivais – Corinthians e São Paulo -, a carta de libertação foi escrita. Qualquer santista que tenha vivido esse momento o gravou e manterá gravado para sempre na retina, no coração e na alma detalhes daquela campanha. O golaço de bicicleta de um surpreendente Alberto em vitória sobre o Corinthians, Diego sambando no escudo são-paulino no Morumbi, uma inapelável goleada sobre o Cruzeiro no famoso Mineirão, Robinho irritando o goleiro Danrlei, do Grêmio, em atuação de gala numa semifinal, as pedaladas do mesmo atacante em um atordoado Rogério, duas vitórias sobre o até então favorito São Paulo nas quartas de final, com Kaká e cia…

Fico então sabendo por amigos jornalistas que acompanharam o clube naquele período que o jornalista Paulo Rogério, repórter dos jornais A Tribuna e Expresso Popular, ambos de Santos, elaborou um livro para contar a história dessa emblemática conquista. Ele ouviu os “arquitetos” da obra, personagens que construíram a redenção santista, e agora tenta publicar o livro. No Brasil, infelizmente, livros ainda não são uma categoria tratada com o devido respeito, para publicar um é necessário muito suor. E livros, como sabemos, são arquivos vivos, são depositários da história e das emoções da vida. Para que a obra seja editada e exista concretamente está sendo realizada uma campanha de arrecadação de financiamento coletivo. Quem se interessar – e creio que para os santistas que respiraram aquela façanha interesse, e muito – poder fazer a compra antecipada da obra e, se o valor objetivado for atingido, receberá uma edição autografada. As contribuições vão de R$ 20,00 a R$ 150,00. Para fazer o cadastro e contribuir é preciso entrar no endereço http://catarse.me/pt/2002 e clicar em ‘apoiar este projeto’. A partir daí é necessário preencher um cadastro para concluir a contribuição.

Confira um trecho do livro já disponibilizado pelo autor que conta como iniciou-se a montagem daquele time, com um curioso diálogo do então técnico Emerson Leão e o presidente Marcelo Teixeira:

“Depois de vinte dias de treinos, Emerson Leão, técnico do Santos, vai à sala do presidente do clube, Marcelo Teixeira, para dar dois recados que deixaram o mandatário estarrecido:

– Presidente, lembra da conversa que tivemos a respeito da necessidade do Santos contratar jogadores? Então, eu não quero mais ninguém. Vou jogar o campeonato com o time que temos.
– Ninguém, Leão?
– Ninguém.
– Leão, nós vamos cair.
– Azar, caímos juntos.”

Como cantou Cantou Caetano Veloso:

“Os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil”



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