Paulinho e Felipão, uma redundância vencedora!



Os professores de português ganharam mais exemplos para dar à moçadinha. Querem saber o que é pleonasmo vicioso, a famosa redundância? Chega de subir para cima, descer para baixo ou entrar para dentro. Eles já podem recorrer aos futebolísticos Paulinho é decisivo e Felipão tem estrela. O volante repete-se na arte de resolver. Chega a ser deslumbrantemente enfadonho! Não houve Minerazo, sua cabeça deu o recado. A história não terá reprise, nem mesmo farsescamente. Mirem-se no exemplo de Corinthians x Vasco, nas quartas da Libertadores do ano passado! Mirem-se no exemplo da tarde Mineirão! Replay quando o tempo ofegava.

Felipão, homônimo do pai de Alexandre, o Grande, que conquistou meio mundo na história antiga, replica o mítico herói na arte de conquistar. No linguajar das ruas é virado para a lua, e não preciso detalhar a metáfora sob pena de parecer indelicado. Volante que faz gol é bom pra imprensa. Bah, o gaúcho contou com a alegria então dos jornalistas para chegar a mais uma final. O fato é que seu brilho reluz. Se Fred era proscrito na era Mano, na segunda edição desta passagem do bigodudo o gosto do Chimarrão tem muito valor, ainda que o atacante seja mineiro, comendo quieto. Fred é um mate, no sentido de matador, artilheiro, resolvedor. Fez dois contra a Itália! Fez mais um contra o Uruguai! O que poderá então fazer domingo, na esperada final com a Espanha ou num tira-teima dentre constantes tira-teimas contra os italianos?

Paulinho une destino e fagulha. Felipão une destino e astúcia. Os dois juntos dão um caldo impiedoso. A Seleção, há um mês contestada, já começa a nutrir simpatias. O público de Brasília, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte já cerrou fileiras. Agora será a vez do carioca para fechar o primeiro ciclo. No Rio, que continua lindo, Felipão poderá antecipar uma nova glória. O que importa é a Copa do Mundo? O que importa é o agora, que gera expectativas para além. Para um técnico que assumiu, 12 anos atrás, quando ninguém queria, e passou pela humilhação de uma eliminação para Honduras, depois tudo foram flores. O título mundial de 2002 indicou que de bombacha em bombacha a roupagem gaúcha peleia.

O Uruguai, e aqui vai outro pleonasmo, foi valente. O Uruguai, do maestro Tabárez, impôs jogo, como sempre acontece. Com um trio infernal deu trabalho. Forlan, destaque do último Mundial, parou em Julio Cesar, em pênalti nos instantes iniciais. Ali já triscou o primeiro elmo felipônico! Não haveria de ser fácil. Foi desses jogos intensos que duas camisas pesadas, que conduzem a história, produzem. Jogar em casa é um trunfo gigante! Jogando em casa sendo-se Brasil, pentacampeão do mundo, é um trunfo de elefante. O título domingo – e que seja contra a Espanha, para tirar a cisma – pode não vir. Porém, Felipão, Paulinho, Fred e Neymar, claro, Neymar, já acenderam uma luz que parecia turvada. O torcedor deve sim ter esperanças do hexa. Há melhores, como Alemanha e Espanha. Mas há a arquibancada, há a potência amarela e há, acima de tudo, um time surgindo.



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