A epopeia de Neymar. Cesse tudo que a crítica antiga canta!



“Cesse tudo que a crítica antiga canta. Que outro valor mais alto se alevanta”. Assim, como um canto camoniano, Neymar é o nosso “brasilíada’ agora, desenha seu próprio épico. Cesse o velho discurso de que falta futebol ao camisa 10 quando veste a pesada camisa amarela. Dois jogos da Copa das Confederações foram suficientes para que as caravelas do molecote mostrassem suas virtudes, em redondilhas maiores ou menores, tanta faz. Os mares podem até não ser dos mais bravios, mas futebol tem desenho próprio, à parte o que os rivais oferecem. Dois golaços nos atos iniciais, com chutes precisos, que uniram volúpia e direção, e tiraram o peso das costas de um time. Não deu nem tempo para as velhas vaias. De quem muito se espera é que a coisa vem. Neymar foi o Neymar que tanto vimos no Santos nesses primeiros 180 minutos de Brasil em campo. Os bigodes de Felipão e Murtosa ficaram alinhados, sem estresse, nestes primeiros dias graças a ele.

“Por mares nunca dantes navegados, passou além de japoneses e mexicanos”. Neymar parece confiante e incisivo. Está à vontade como nunca o vimos pelo time nacional. Assim, reafirma que é a esperança de superar a favorita Espanha e a forte Itália na competição. Mais ainda: é o trunfo daqui um ano na tentativa do hexa. Se a arte exibida reiteradas vezes pelo Santos ficava escondida, o lance do gol de Jô, diante do México, interrompeu o silêncio. Drible de rara técnica, rapidez de pensamento, talento genuino.

“Cessem, por ora, dos sábios dos anos 60, o que fizeram. Cale-se de Romário e de Ronaldo a fama das vitórias e gols que fizeram”. O momento é dele, ele é a realidade da Seleção. Os broncos, ou, para ser suave, céticos, dirão que aguardam o desempenho contra equipes mais potentes. Ora, pois, natural. Mas o fato é que ele assumiu a responsabilidade e acabou com aquele impressão de que não era com ele. Até manifestou-se antes do jogo, quando falou sobre os protestos pelo Brasil e se disse motivar a resolver no campo. Fez, então, sua obra, aquilo que está a seu alcance. Se ele é o presente, o futuro, está provando que as fichas estão bem depositadas. Sua classe é um fato. Os seus feitos serão construidos. Só não me venham dizer que ele já não falou de flores!



  • Parabéns!!! Texto brilhante que exalta justiça ao talento do menino homem.

  • Rafa

    É o melhor jogador do torneio…para o desespero de muitos…

  • Julio

    O problema do Neymar era estar jogando no Santos, Sou santista mais se ele jogasse no Corinthians, a imprensa não pegaria no pe dele dizendo que ele é cai-cai e deixaria o jogador livre para mostrar seu futebol.

  • Luciano Domingos Bruzetti

    Vamos aguardar uma possivel final entre Brasil ( se chegar lá ) e Espanha para depois avaliarmos o Neymar. Soment por duas partidas e duas jogadas e toda a imprensa fica endeusando o tal. Vamos ver contra a marcação cerrada da Itália e contra a Espanha e depois me digam se ele é realmente o que falam.

  • João

    Valdomiro, que texto belíssimo.
    Egoísticamente: o Neymar lavou minha alma!
    Sou santista, fã incondicional e agradecido pelo que fez por mim no peixe, inclusive muito mais do que no jogo de ontem. Mas eu estava triste e abatido junto com ele. A injustiça era clara: é difícil de entender que alguém com um mínimo de vivência no futebol não vê que estamos diante de um jogador muito diferenciado, espetacular.
    Como na vida nada é certo, a gente ficava numa torcida muito grande por um desempenho de gala, que veio ontem: para a torcida, frustada e ansiosa pelo prazer de vê-lo brilhar como já viam os santistas, foi uma espécie de pagamento e reconciliação; para a crítica esportiva, foi um fantástico “cala sua boca”.
    Para os cidadãos, que estavam num momento de explosão de frustações e aspirações, as declarações antes e a performance durante jogo, foi uma simbiose, uma apoteose, de patriotismo e inconformismo. Ousadia e alegria sim, conformismo não.
    Obrigado Neymar.

  • eduardo

    Grande texto. Pena que não se pode apreciar sem ter a atenção desviada pelos acontecimentos.

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