Um desafio gigante para a jovem Seleção Brasileira



A Seleção Brasileira ainda não venceu nenhum campeão do mundo (somando amistosos e torneios) desde o fim da era Dunga. E isso é mau. Estou descartando o tal Superclássico das Américas, que agora ocorre ano a ano tentando resgatar a Copa Rocca mas não tem a luminescência e nem o timbre da antiga competição – agora só jogam os caras que atuam em solo pátrio em época que os craques atuam no Velho Continente. Nos tempos de Dunga, massacrado pela crítica porque é o rei da antipatia e por não ter levado tenros Ganso e Neymar para o Mundial da África do Sul, o que mais a Seleção fez foi se impor em jogos grandes, quando as duas camisas têm peso de toneladas. Havia ali uma solidez, um time de contra-ataque e letal. Dava segurança pro torcedor, mesmo com as ressalvas, repito, pela cara amarrada do volante tetracampeão. E esse é um dado relevante de como a preparação para a Copa no Brasil está cambaleante se comparada com a anterior. Olhar a posteriore, ver as coisas como elas são, é ter bom senso, meus amigos.

Claro, tivemos mudança de comando no meio do processo, algo que não aconteceu com Dunga, que ficou no tal ciclo mundialístico inteiro. E o ex-jogador ainda tinha rebarbas importantes de experiência, não preciso apostar em renovação total (aqui me refiro mais à etária que à de caras inéditas). Isso o favoreceu. Mano, a seu favor, há que se constatar que nos meses finais de suas atribuições começava a esboçar um time consistente. Por questões políticas e idiossincráticas do daninho comando da CBF, o treinador foi ejetado do cargo e resgatou-se Felipão pouco mais de dez anos depois da conquista do penta. Responder aos apelos patrióticos com uma dupla de passado vitorioso, o bigodudo tem Parreira ao seu lado, foi um belo ato de demagogia, de filosofia pão e circo e essa coisa toda. Digamos que Mano ficou com o piquinique no parque e Felipão com o filet mignon. Os pontos altos, Copa das Confederações e do Mundo, foram destinados ao veterano gaúcho. A farroupilha ficou para o seu conterrâneo mais jovem.

Agora, no primeiro dos dois amistosos que antecedem a Copa das Confederações, começamos a sentir o bafo da empolgação competitiva esquentar. E o jejum se prolongar. No empate por 2 a 2 com os ingleses, a equipe foi melhor que anteriormente, mas o resultado não veio. E, como disse no começo, isso é mau. É mau porque a autoafirmação para chegar de peito estufado no Mundial não passará apenas pelo entusiasmo das ruas. Precisará do estofo de resultados que dão confiança. Nesse sentido, o torneio que começa no próximo dia 15 poderá ser uma pressão enorme. Haverá três campeões do mundo no caminho brazuca. Espanha e Itália, campeã e vice da última Eurocopa, e o Uruguai, assombração de 1950. Não podemos ser simplistas nem fatalistas. O Brasil pode vencê-los. Neymar poderá reluzir. Felipão resgatar sua estrela, que andou apagada. Tudo no mundo acontece, como rezou o mestre Cartola. Mas também não sejamos cegos. Uma equipe que não consegue superar os adversários tradicionais em amistosos terá que se desdobrar para vencê-los quando o jogo é de campeonato.

Desde de novembro de 2009, quando bateu a própria Inglaterra, a tal amarelinha não se impôe diante de gente grande. Preocupante. O Brasil construiu sua fama e fortuna na bola com a Seleção gerando temor nos outros. Os resultados recentes mostram que essa aura não tem dado as caras. A molecada plena de potencial tá aí, pra mostrar seu valor. Mas tem nas costas um desafio rotundo. Se conseguir, terá amadurecimento precoce e, para muitos, mostrará que nosso futebol é vocacionado para sempre mandar. Se perder, poderá ficar com um carimbo difícil de descolar. Não será justo. Mas quem disse que justiça é algo que circula no esporte?



MaisRecentes

Rica em talentos, França rompe com paradigma recente



Continue Lendo

Espanha morre abraçada ao ‘tiquitaca’ odiado por Guardiola



Continue Lendo

Em cartaz na Rússia: ‘El secreto de sus Rojos’



Continue Lendo