De clichê em clichê o Brasileirão enche o papo



Todo jogo é decisão! Eis o clichê mais cultuado do Brasileirão por pontos corridos, o campeonato mais “clichezento” que se tem notícia. Sendo assim, na primeira das 38 rodadas tivemos dez parrudas decisões. Mas o público só encampou em parte a ideia, como sempre acontece. Torcedor não é um sujeito pragmático e não enxerga a rodada do debute como a desquite. No fim, nos trabalhos que encerram, a emoção dele bate mais forte. Quando vê seu time perto do título ou às vias de cair ele resolveu dar as caras com mais frequência. Mas vamos que vamos, pois a oração é de que três pontos valem hoje, domingo que vem, em agosto ou dezembro. E assim o São Paulo foi o campeão da jornada inaugural. Foi o único time a pintar um triplo quadradinho atuando fora de casa. É o campeão, digamos, moral do fim de semana. Lúcio e Jadson construíram a bonança. Como dizem, essa vitória, preciosa, pode fazer a diferença lá na frente. Os chavões, seja como for, muitas vezes são verdadeiros, embora soem figuras de superfície.

Assim a Macaca, por lógica, foi a derrotada-mor. Não foi quem tomou o maior dos sabugos. O Goiás “celebrou” seu retorno à elite tomou impiedosos 5 a 0 do Cruzeiro. Vejam só, a Raposa, melhor saldo de gols, líder, porém não a campeã da primeira rodada. Como disse, o campeão foi o São Paulo. Todo jogo é decisão, amigo! Goiás e Ponte, assim, ficam no vale das lágrimas. Cruzeiro e São Paulo iniciam como timoneiros. Houve, sim, um choque lusitano logo de cara. Choque de duas desconfianças que nada tem a ver com Pero Vaz Caminha ou Dom João VI. O time cruz-maltino vive tempos estruturais precários. A Lusa, que obteve o retorno à Primeira Divisão paulista reestreou nas alturas nacionais insegura. Assim, na decisão dos temores o Vasco levou melhor.

O Internacional teve o chamado empate com sabor de vitória. Mais uma das pérolas da nossa prosa futebolística. Perdia por 2 a 0 para o Vitória em Salvador e foi buscar a igualdade. Além do placar com o gosto da alegria sabe que ele foi fora dos seus domínios. Ou seja, celebrou o clichê do pontinho precioso em ambiente alheio.

O Coxa começou pleno de moral. Venceu a decisão contra o Galo, o time brasileiro mais festejado do momento, favorito ao título da Libertadores. Assim sendo, que resultado decisivo para o Coritiba. O Flu, outro sobrevivente brasileiro, ao menos até esta semana, no torneio continental, venceu na marra o Atlético-PR. Fez a obrigação do mando. Vencer em casa, reza a cartilha, é vital para as pretensões, é o ABC da estrada bem pavimentada. Mesmo que saibamos que na longa trajetória triunfos fora possam redimir os fiascos em propriedade privada.

Criciúma e Grêmio fizeram a lição de casa (expressão-metáfora bem clássica do dicionário dos bordões). Bons meninos os sulistas. Pior para Bahia e Náutico, nordestinos que voltaram para a parte superior do mapa como desceram, sem pontos. O Botafogo, no Pacaembu, abiscoitou um pontinho do Corinthians. Tropeço para Tite. Vá lá que os instruidos matemáticos assinalem: vale mais vencer um jogo e perde dois a empatar três. O raciocínio é bom, mas como trata-se de profecia, se o Timão perder os dois próximos não haverá esse raciocínio e será melhor ter um pontinho a zero. Ah, tudo é relativo desde Einstein. O mesmo vale para o Flamengo, que também sugou um ponto no jogo de visitante mais mandante de todos os tempos. No papel, o Peixe era o mandante. Mas na prática, com o jogo negociado pela diretoria alvinegra e repassada para Brasilia, a torcida rubro-negra abarrotou o estádio Mané Garrincha. Assim, o time se deu bem ou mal? Criou-se um conflito no campo dos rótulos.

Na segunda rodada os clichês voltaram. Eles são fieis, jamais arredam pé, e mostrarão que, assim como no último fim de semana, cada jogo valerá três pontos, vencer em casa é fundamental e que há empates com paladar de vitória.



  • O Coritiba venceu o Galo com ronaldinho gaúcho? Acho que não, hein? Seria bom verificar as escalações antes de escrever para fundamentar os comentários. O Galo estava sem 6 titulares: marcos Rocha, Gilberto Silva, richarlyson, Leandro Donizete, ronaldinho e Jô.

  • renato

    Bem legal o texto ! o futebol hoje tem mais clichês do que craques.

  • Cleibsom Carlos

    Independente do baixo nível técnico da 1ª rodada do Campeonato Brasileiro, em campeonatos de pontos corridos os 3 pontos são os mesmos seja no começo ou no fim do campeonato e independem do adversário. Não entendi a ironia do articulista sobre um fato que me parece lógico e evidente.

  • O Analista

    Boa tarde…

    Realmente o futebol está repleto de clichês e frases feitas… tentei buscar mais alguns:
    – perdemos, mas foi de bola parada;
    – esse é um jogo de seis pontos;
    – o time XXXXXX tem tudo para escapar da zona do rebaixamento (comentarista, sem informar qual o time que entraria na referida zona…);
    – o time XXXXXX tem tudo para chegar no G-4 da Libertadores (comentarista, sem explicar qual o time que deixará de integrar o referido G-4);
    – o amarelo ficou barato!
    – o técnico trocou seis por meia-dúzia;

    E temos ainda, as chatices irritantes das transmissões de futebol pela TV. Eis algumas:
    – Junior, quem faz mais falta ao time, o Montillo ao Santos ou o Carlos Alberto ao Vasco?
    – jogando em SP, o Bahia nunca venceu. Perdeu 19 e empatou 3.
    – jogador que deixa o campo correu 8,2 km;
    – e o juizão olhou e falou: seeeeegue o jogo!
    – olha a bolinhaaaaa… tem gol no campeonato brasileiro.
    – e agora, é hora do baú. Em 1979, o Inter de Falcão venceu o Vasco de Leão…
    – vamos ao hino nacional do Brasil, e na sequencia teremos um minuto de silêncio…
    – nosso tira-teima mostra que na hora do lançamento, o atacante está na mesmal linha…
    – Não saia daí… já, já teremos o show do intervalo com a opinião de Casagrande…


  • Aderbal

    Texto chato e sofrível, de um jornalista discursando sobre matemática

  • Neil Azevedo

    pode até parecer clichê… mas é a mais pura verdade…
    e quanto a torcida se inflamar na parte final isso é cultural.. passamos décadas sobre o mata-mata.. onde só vale algo após o longo e chato campeonato.
    Apoio totalmente esse sistema… e a torcida que chora a perda de algo por 1 ponto no final deveria saber que este foi deixado de lado nestas rodadas.

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