Os cochichos de Neymar e Pato x a sinceridade de um goleiro



Fim de jogo, Corinthians campeão paulista e Neymar cochicha com Pato, mão a recobrir a boca. Cai fora, invasiva leitura labial! O que terá sussurrado a joia santista à pérola que não consegue sair da concha? Talvez tenham sido palavras de consolo:

– Calma, tua hora vai chegar de novo! O Felipão logo logo te chama pra Seleção!

Ou então, é trato pessoal, coisa de moleques, a relembrar uma balada recente:

– Aquela garota de vestido tava linda, leleke!

Mas o assunto da hora é o vai-não vai pra Catalunha, Madri ou Munique. Pode ter sussurrado ao amigo, dando as caras:

– Rapaz, tô ansioso pra jogar no Barça!

Pato é ave treinada, domesticada no enfadonho viveiro do profissionalismo atual. Nada revelou do papo à imprensa. Já está marcado, como pássaro raro, pela censura de mil assessores e medias trainings (esses chiques anglicismos ainda vão torcer nossa linda flor do lácio). Nem o dito ficou pelo dito, quanto menos será Benedito. Só podemos imaginar. Ficamos no exercício lúdico do “se non è vero, è ben trovato” – Se não é verdade, é bem pensado!

Três dias depois, outro jogo no mesmo local, Vila Belmiro. E o enredo muda…

Fim de jogo. Santos empata com Joinville e Neymar troca ideias com o goleiro rival, Ivan, desconhecido da grande arquibancada. Desta vez, não era um pato patatipatacolá, tão famoso quanto o da Disneylândia! Era um jogador a buscar espaço, um fã do moicano. Não houve o tapume espalmado a impedir leituras. Mas elas foram dispensáveis. Pois o camisa 1 da equipe catarinense, inconfidente, ou melhor, ainda não censurado pelo toque de silêncio das carreiras pomposas, entregou:

– Após o jogo, ele falou, em tom de risada, que não dá mais. Essas foram as palavras. Não citou nada de times. Falou: não dá mais!

Desta vez, não precisei formular hipóteses. Tudo saiu da boca do simpático goleiro. Interpretar, ainda, podemos. Houve risadas, vai saber se é brincadeira. Mas a sinceridade do jogador do Joinville contrasta com o jogo de cena dos craques consagrados. Eis um retrato do futebol dito “muderno”, em que, moldados por assessores saidos das costelas da sociedade de imagem fabricam as falas de atletas como bonecos de ventríloquo.



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