Prece aos santistas de boa vontade: não condenem o filho pródigo Neymar



Neymar tem o raro privilégio da cobiça dos maiores. Que jogador hoje no mundo pode ver os dentes afiados e os olhares sequiosos do trio Barcelona, Bayern de Munique e Real Madrid? Com 21 anos, ele é cortejado pelos gigantes do Velho Continente e tratado no Brasil como sumidade. Sua cabeça deve ficar a mil com isso. Esses volteios devem ser irrespiráveis com trocentos contratos de patrocínio, faz propaganda aqui, participa até de novela ali, pega helicóptero, avião, só falta nave espacial para testar a gravidade da lua e imitar Neil Armstrong. Até esquecer isso me tira o fôlego.. E o dele ainda tem que sobrar para driblar adversários, fazer gols e obter títulos. É uma voragem!

Ao segurar Neymar estes anos todos, o Santos prestou um baita serviço ao nosso futebol. Não sei se criou modelo, dado o sacrifício que ele impõe. Mas mostrou que não precisamos nos prostrar sempre com facilidade e achar que jogadores de ponta e novos não podem nos dar a alegria de atuar uns bons anos de sua aurora por aqui. Mas bem sabemos também que isso não será eterno, que o destino é natural na realidade posta. Neymar não teria que abdicar de dinheiro, já que a engenharia que o clube montou permitiria os ganhos vultosos e europeus para ele. Mas precisaria abrir mão de algo talvez mais impensável: jogar onde estão os tops mundiais. No futuro não sabemos como a lusitana girará. Mas hoje é difícil imaginar um cara com esse perfil, com esse talento, não experimentando suas jogadas nas terras antigas lá de cima. Admitir isso não é servilismo, é até um ato de compaixão com o talento.

Quando Neymar sair, depois da Copa das Confederações ou só depois da Copa do Mundo, os santistas não devem se prender ao que o clube irá faturar de imediato, na polpa da mão. Deverão ter a sapiência de comemorar o que conquistaram nestes anos de exposição de marca, de prestígio, de torcida, de títulos.. Não tem sido pouca coisa. Tem sido combustível nobre a manter o Santos no seu patamar histórico. Deu sequência à linha de monstros sagrados, como Pelé, Pepe e sua turma nos anos 60, a primeira geração de Meninos da Vila, Robinho mais recentemente e por aí vai. Se acabar agora, valeu muito a pena. A alma do santista não é pequena a ponto de não enxergar que foi tudo lindo. Se durar mais um ano, será proveitoso, mas também logo acabará.

O craque dos múltiplos estilos capilares é também o craque dos golaços, a ponto de ter conquistado prêmio da Fifa de gol mais bonito do ano retrasado. Aquele em que enfileirou os flamenguistas. É o craque que devolveu ao santista o orgulho da passarela internacional. A Libertadores voltou a rutilar em Urbano Caldeira após quase 50 anos. Equiparou-se a Pelé em alguns itens. Deu muito. O Santos devolveu-lhe com açúcar e com afeto, algo que ele nitidamente reconhece. O amor é recíproco. Que não se permitam interpretações passionais a maldosas a macular isso. Para que quando sair Neymar possa planejar uma volta futura, seja para encerrar a carreira, seja para seguir espalhando o glorioso nome alvinegro pelas terras mundanas. Esta é uma despedida que pode ser pontual ou antecipada. Mais do que isso! É uma prece para os santistas de boa vontade.



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